Pesquisando em meus arquivos, encontrei este artigo de Polo Noel Atan de 1999, enfático e sombrio em relação à situação do Planeta, que ora insiro para leitura, reflexão e comentários.
“UM PLANETA AGONIZANTE” – esta é hoje a situação da Terra, com a quase totalidade das chamadas RESERVAS NATURAIS (Mineral, Vegetal e Animal) esgotadas ou comprometidas.
A depredação irracional dos recursos, motivada pela ganância e ambição deste último século, aliada à destruição provocada da própria Natureza através de incêndios, alagamentos e movimentos do solo e também à destruição pelo homem da camada de ozônio, o efeito estufa, o degelo das calotas polares, o aumento da temperatura e a poluição em todos os seus aspectos, conduziram a Terra a esta situação desesperadora, com as mais sombrias perspectivas, caso não sejam tomadas medidas emergenciais para reverter o processo de deterioração e recuperação do que foi perdido.
A preservação da Vida Planetária, dos seus Quatro Reinos, depende exclusivamente da SAÚDE e EQUILÍBRIO do próprio Planeta, um doente em estado terminal.
A explosão demográfica descontrolada e o que é pior, a irracionalidade dos SISTEMAS VIGENTES, estão conduzindo TUDO e TODOS a um inevitável colapso.
Ilustração: População Mundial (Folha de São Paulo – 28.05.99)
ANO 0.001 POPULAÇÃO = 200 MILHÕES DE HAB.
ANO 1.650 POPULAÇÃO = 500 MILHÕES DE HAB.
ANO 1.804 POPULAÇÃO = 1 BILHÃO DE HAB.
ANO 1.913 POPULAÇÃO = 2 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.960 POPULAÇÃO = 3 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.974 POPULAÇÃO = 4 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.987 POPULAÇÃO = 5 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.999 POPULAÇÃO = 6 BILHÕES DE HAB.
Nota: Pelos números divulgados observa-se que levou 1.804 anos para a população mundial saltar de 200 milhões para 1 BILHÃO e apenas nos últimos 12 anos (87/99 aumentou mais 1 BILHÃO).
Pouco ou quase nada têm adiantado as constantes advertências chamando a atenção para a necessidade de uma CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA e para a preservação do meio ambiente da Terra.
Existem, é verdade, as ações positivas de heróicos e pequenos grupos, que ousam desafiar os “poderosos”, contrariando seus interesses, numa desigual luta de pigmeus contra gigantes que atropelam tudo e todos os que se interpõem em seu caminho.
E o povo, cada vez mais condicionado à ignorância e a servir inocentemente a esses interesses, contribui poluindo sempre mais as grandes cidades, embriagando-se num consumismo desesperado, fazendo exatamente o “jogo” programado por ELES e assim, comprometendo ainda mais rapidamente toda a estrutura dos sistemas sociais que levaram séculos para serem conquistados.
Além disso, some-se também a nociva programação sistemática visando o desvirtuamento dos valores MORAIS, ÉTICOS e ESPIRITUAIS; de apoio e incentivo à competição feroz que gera a violência, induzindo cada um a considerar o seu semelhante como um inimigo em potencial; da deterioração dos sistemas de educação, saúde e infra-estrutura indispensáveis às sociedades civilizadas; do desrespeito aos valores de Pátria, Nação e País, subservientes ao CAPITAL.
Da proliferação pandêmica da corrupção e enfermidades que já tomaram conta do Globo; do desemprego em larga escala, do racismo e do radicalismo religioso exacerbados.
Eis aí, em poucas palavras, um panorama desta época moderna... Simplesmente o CAOS, com tendências para piorar cada vez mais.
A única saída que resta é a execução urgente de uma GRANDE REFORMA PLANETÁRIA, uma globalização em todos os sentidos, não apenas na economia. Observem como a FORÇA DA PAZ, juntamente com as FORÇAS DA NATUREZA já estão em plena ação; após o colapso dos sistemas atuais, será necessária a RECOMPOSIÇÃO e RECONSTRUÇÃO DO NOVO MUNDO, de NOVOS SISTEMAS, de NOVA SOCIEDADE, de um NOVO HOMEM, com o que restar de sadio da humanidade e dos recursos naturais.
Quando afirmamos que o Planeta está doente, não nos limitamos apenas ao seu aspecto físico; a pior doença é a distorção psíquica que compromete quase toda a Humanidade, que também se deixou corromper, absorvendo com voracidade espantosa as SEMENTES ENVENENADAS que lhes foram oferecidas.
Caso fôssemos estabelecer um paralelo entre o equilíbrio perfeito do Humanizado e o protótipo do homem comum atual mediano, chegaríamos à conclusão de que a loucura tomou conta de todos.
Seu sintoma mais significativo é a maneira como a mentira, a falsidade, a hipocrisia e a dissimulação se tornaram os artifícios mais usados em todas as formas de relacionamento humano.
Ainda com relação à Grande Reforma Planetária, suas coordenadas terão que abranger todos os campos de atividades humanas, a humanidade terá que absorver nova Consciência e novos Conceitos de si mesma perante os seus semelhantes, perante o Planeta.
Reflexões preliminares sobre a crise econômica-financeira global
0 comentários Postado por Carlos Ronaldo Santos às 14:12A minha percepção é que a crise econômico-financeira em curso não é mais uma das recorrentes crises do sistema capitalista, por alguns aspectos que passo a enumerar:
1- A sua trajetória começando no mercado de crédito imobiliário, passando para o sistema bancário, depois pelas bolsas de valores e por fim para a economia dita real.
2- O seu caráter sistêmico e contagioso em face da interdependência dos mercados numa economia globalizada.
3- A colocação em check dos pressupostos ideológicos do fundamentalismo de livre mercado ou neoliberalismo como: laissez-faire, auto-regulação ou mão invisível, equilíbrio de expectativas racionais, liberdade de fluxo de capitais, eficiência econômica, margens crescentes de lucro, mercados competitivos, etc.
4- O nível de mobilização e de intervenção dos governos no sistema econômico.
5- A extensão da crise e a iminente ameaça de um colapso econômico global sem precedentes.
6- A sua natureza que foge bastante do padrão “destruição criativa”
Seria pretensão neste momento da crise cujos desdobramentos me parecem imprevisíveis, apregoar um possível ou provável fim do modelo econômico capitalista, mas certamente a sua continuidade se dará sem a hegemonia do pensamento neoliberal.
Eu diria que esta crise associada às outras crises que atingem de forma acentuada e crescente a civilização humana, como o efeito estufa, a crise ambiental, a energética, a fome, a violência, as drogas, etc. são oriundas de um modelo mental ultrapassado, de visões deturpadas e limitadas, de interesses escusos, de noções equivocadas de poder, de muita omissão e falta de vontade política, e por aí afora.
Crises significam oportunidades e necessidades de decisões, e o mundo vem perdendo sistematicamente um número excessivo das primeiras e cometido na melhor das hipóteses muitos equívocos em relação às segundas; fruto da ignorância, do egoísmo, do orgulho, da ganância, da insegurança e do medo.
É possível que diante de toda esta problemática estejamos diante de um “rito de passagem” onde a introdução de possibilidades amplamente destrutivas no campo da atividade humana e planetária, implica que nos aproximamos do momento em que o padrão cíclico que este campo opera tornou-se saturado, e afastado em demasia do seu objetivo original e funcional, necessitando urgentemente de uma alteração drástica, sob a pena do rumo inexorável para extinção.
Venho compartilhar com os leitores deste blog o texto com o título acima, que faz parte do livro de Humberto Mariotti, As Paixões do Ego: Complexidade, Política e Solidariedade, da Editora Palas Athena, 2000 e aborda um conceito que entendo ser bastante pertinente para a construção de uma mentalidade propícia ao momento de crise, incertezas e transição que ora vivemos.
O que é complexidade?
A complexidade não é um conceito teórico e sim um fato da vida. Corresponde à multiplicidade, ao entrelaçamento e à contínua interação da infinidade de sistemas e fenômenos que compõem o mundo natural. Os sistemas complexos estão dentro de nós e a recíproca é verdadeira. É preciso, pois, tanto quanto possível entendê-los para melhor conviver com eles.
Não importa o quanto tentemos, não conseguimos reduzir essa multidimensionalidade a explicações simplistas, regras rígidas, fórmulas simplificadoras ou esquemas fechados de idéias. A complexidade só pode ser entendida por um sistema de pensamento aberto, abrangente e flexível — o pensamento complexo. Este configura uma nova visão de mundo, que aceita e procura compreender as mudanças constantes do real e não pretende negar a multiplicidade, a aleatoriedade e a incerteza, e sim conviver com elas.
Lembremos uma frase de Jean Piaget: "Os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios". A experiência humana é um todo bio-psico-social, que não pode ser dividido em partes nem reduzido a nenhuma delas. Primeiro, percebemos o mundo. Em seguida, as percepções geram sentimentos e emoções. Na seqüência, estes são elaborados em forma de pensamentos, que vão determinar o nosso comportamento no cotidiano.
O modo como nos tornamos propensos (pela educação e pela cultura) a pensar é que vai determinar as práticas no dia-a-dia, tanto no plano individual quanto no social. Do ponto de vista bio-psico-social, o principal problema para a implantação do desenvolvimento sustentado (e portanto o desenvolvimento da cidadania) é a predominância, em nossa cultura, do modelo mental linear (ou lógica aristotélica, ou lógica do terceiro excluído).
Por esse modelo, A só pode ser igual a A. Tudo o que não se ajustar a essa dinâmica fica excluído. É a lógica do "ou/ou", que deixa de lado o "e/e", isto é, exclui a complementaridade e a diversidade. Desde os Gregos que esse modelo mental vem servindo de base para os nossos sistemas educacionais.
Essa lógica levou à idéia de que se B vem depois de A com alguma freqüência, B é sempre o efeito e A é sempre a causa (causalidade simples). Na prática, essa posição gerou a crença (errônea) de que entre causas e efeitos existe sempre uma contigüidade ou uma proximidade muito estreita. Essa concepção é responsável pelo imediatismo, que dificulta e muita vez impede a compreensão de fenômenos complexos, como os de natureza bio-psico-social.
O modelo mental cartesiano é indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos (abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia). Mas é insuficiente para resolver problemas humanos em que participam emoções e sentimentos (a dimensão psico-social). Um exemplo: o raciocínio linear aumenta a produtividade industrial por meio da automação, mas não consegue resolver o problema do desemprego e da exclusão social por ela gerados, porque se trata de questões não-lineares. O mundo financeiro é apenas mecânico, mas o universo da economia é mecânico e humano.
Desde os primeiros dias de escola (e de vida, dentro da cultura), nosso cérebro começa a ser profundamente formatado pelo modelo linear. Para ele, o predomínio de um determinado pensamento, com exclusão de quaisquer outros é "lógico" e perfeitamente "natural". Essa é a base das ideologias em geral e do autoritarismo em particular. Desse modo, fenômenos como a exclusão social são também vistos como "lógicos", "naturais" e "inevitáveis".
O modelo mental linear-cartesiano forma a base do empirismo, que diz que existe uma única realidade, que deve ser percebida da mesma forma por todos os homens. Hoje, porém, sabe-se que não existe percepção totalmente objetiva (ver abaixo, no item 11, a posição de Humberto Maturana).
Por isso, nos últimos anos esse modelo de pensamento tem sido questionado de muitas formas, inclusive pelo pensamento complexo. Este permite entender os processos autopoiéticos (autoprodutores, auto-sustentados, autogestionários), dos quais as sociedade humanas constituem um exemplo.
O pensamento complexo baseia-se na obra de vários autores, cujos trabalhos vêm tendo ampla aplicação em biologia, sociologia, antropologia social e desenvolvimento sustentado. Uma de suas principais linhas é a biologia da cognição, de Maturana, que sustenta que a realidade é percebida por um dado indivíduo segundo a estrutura (a configuração bio-psico-social) de seu organismo num dado momento. Essa estrutura muda constantemente de acordo com a interação do organismo com o meio.
A diversidade de visões não impede (pelo contrário, pede) que cheguemos a acordos (consensos sociais) sobre o mundo em que vivemos. Esses consensos é que vão determinar as práticas sociais. Para que possamos chegar a consensos que levem em conta o respeito à diversidade de pontos de vista é necessário observar alguns parâmetros básicos:
• O que chamamos de racional é o resultado de nossas percepções. No início, elas surgem como sentimentos e emoções. Só depois é que se transformam em pensamentos, que geram discursos, que por fim são formalizados como conceitos.
• O racional vem do emocional, não o contrário. Isso não quer dizer que devamos deixar de ser racionais. Significa apenas que precisamos aprender a harmonizar razão e emoção, pensamento mecânico e pensamento sistêmico. Essa é a proposta básica do modelo complexo.
• Uma cultura é uma rede de conversações que define um modo de viver. Toda cultura é definida pelos discursos que nela predominam. Estes se originam nas conversações, que começam entre indivíduos, estendem-se às comunidades e por fim a todo o âmbito cultural.
• Os consensos sociais (que determinam, por exemplo, o que é permitido e o que não é, o que é real e o que é imaginário numa determinada cultura) resultam desses discursos, que por sua vez são oriundos das redes de conversação.
• Cresce-se numa cultura vivendo nela como um indivíduo participante da rede de conversações que a define. Crescer numa cultura significa, então, adquirir e desenvolver a cidadania.
• Uma cultura que não desenvolve a cidadania de seus membros não cresce, permanece subdesenvolvida. Logo, não pode sequer começar a pensar em desenvolvimento sustentado.
• Como vimos há pouco, todo sistema racional começa no emocional: o que pensamos vem do que sentimos. É por isso que nenhum argumento racional pode convencer as pessoas que já não estejam desde o início convencidas ou propensas a isso.
• Os argumentos racionais são úteis para iniciar conversações. Mas se eles insistem em permanecer lineares (ou seja, excludentes, apegados ao "ou/ou"), isso significa que querem manter-se como os únicos "verdadeiros", isto é, que não respeitam a diversidade. E esta, como sabemos, é a base da cidadania.
Dessa maneira,
• Não se pode desenvolver uma compreensão satisfatória da cidadania e de desenvolvimento sustentado com base apenas no pensamento linear.
• Por outro lado, o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para as mesmas finalidades.
• Há, portanto, necessidade de uma complementaridade entre ambos os modelos mentais. O pensamento linear não se sustenta sem o sistêmico, e vice-versa. O desenvolvimento sustentado precisa de um modelo de pensamento que lhe dê base e estrutura. Este é o pensamento complexo.
• Como os processos de pensamento hegemônicos em nossa cultura estão unidimensionalizados pelo modelo linear, só um esforço educacional que comece na infância terá possibilidades de reverter de modo significativo esse quadro. Isso implica pelo menos o prazo de uma geração.
• No caso dos adolescentes e adultos de hoje, é possível alcançar mudanças substanciais nessa área, desde que eles sejam educacional e culturalmente sensibilizados.
• Para isso, é fundamental a atuação das entidades do terceiro setor (entidades comunitárias), porque por meio delas é possível questionar a rigidez institucional e o modelo mental linear que, em geral, caracteriza as estruturas governamentais.
Pensamentos linear, sistêmico e complexo
Em primeiro lugar, lembremos o exemplo de Joseph O’Connor e Ian McDermott. A Terra é plana? É claro que sim: basta olhar o chão que pisamos. No entanto, como mostram as fotografias dos satélites e as viagens intercontinentais, ela é obviamente redonda. Concluímos então que do ponto de vista do pensamento linear, de causalidade simples e imediata, a Terra é plana. Uma abordagem mais ampla, porém, mostra que ela é redonda e faz parte de um sistema.
Precisamos dessas duas noções para as práticas do cotidiano. Mas elas não são suficientes, o que nos leva a ampliar o exemplo desses autores e dizer que:
a) do ponto de vista do pensamento linear a Terra é plana;
b) pela perspectiva do pensamento sistêmico ela é redonda;
c) por fim, do ângulo do pensamento complexo — que engloba os dois anteriores — ela é ao mesmo tempo plana e redonda.
Recapitulemos:
• O pensamento linear, ou linear-cartesiano, é a tradução atual da lógica de Aristóteles. Trata-se de uma abordagem, necessária (e indispensável) para as práticas da vida mecânica, mas que não é suficiente nos casos que envolvem sentimentos e emoções. Ou seja, não é capaz de entender e lidar com a totalidade da vida humana.
• O pensamento sistêmico é um instrumento valioso para a compreensão da complexidade do mundo natural. Porém, quando aplicado de modo mecânico, como simples ferramenta (como se vem fazendo nos dias atuais, principalmente nos EUA, no mundo das empresas), proporciona resultados meramente operacionais, que não são suficientes para compreender e abranger a totalidade do cotidiano das pessoas.
• Por outras palavras, o pensamento sistêmico pode proporcionar bons resultados no sentido mecânico-produtivista do termo, mas certamente não é o bastante para lidar com a complexidade dos sistemas naturais, em especial os humanos.
• É indispensável ter sempre em mente que, em que pese a sua grande importância, ele é apenas um dos operadores cognitivos do pensamento complexo. Por isso, quando utilizado, como tem sido, separado da idéia de complexidade, diminuem a sua eficácia e potencialidades.
• O pensamento complexo resulta da complementaridade (do abraço, como diz Edgar Morin) das visões de mundo linear e sistêmica. Essa abrangência possibilita a elaboração de saberes e práticas que permitem buscar novas formas de entender a complexidade dos sistemas naturais e lidar com ela, o que evidentemente inclui o ser humano e suas culturas. As conseqüências práticas dessa visão bem mais ampla são óbvias.
Alguns princípios do pensamento complexo
• Tudo está ligado a tudo.
• O mundo natural é constituído de opostos ao mesmo tempo antagônicos e complementares.
• Toda ação implica um feedback.
• Todo feedback resulta em novas ações.
• Vivemos em círculos sistêmicos e dinâmicos de feedback, e não em linhas estáticas de causa-efeito imediato.
• Por isso, temos responsabilidade em tudo o que influenciamos.
• O feedback pode surgir bem longe da ação inicial, em termos de tempo e espaço.
• Todo sistema reage segundo a sua estrutura.
• A estrutura de um sistema muda continuamente, mas não a sua organização.
• Os resultados nem sempre são proporcionais aos esforços iniciais.
• Os sistemas funcionam melhor por meio de suas ligações mais frágeis.
• Uma parte só pode ser definida como tal em relação a um todo.
• Nunca se pode fazer uma coisa isolada.
• Não há fenômenos de causa única no mundo natural.
• As propriedades emergentes de um sistema não são redutíveis aos seus componentes.
• É impossível pensar num sistema sem pensar em seu contexto (seu ambiente).
• Os sistemas não podem ser reduzidos ao meio ambiente e vice-versa.
Alguns benefícios do pensamento complexo
• Facilita a percepção de que a maioria das situações segue determinados padrões.
• Facilita a percepção de que é possível diagnosticar esses padrões (ou arquétipos sistêmicos, ou modelos estruturais) e assim intervir para modificá-los (no plano individual, no trabalho e em outras circunstâncias).
• Facilita o desenvolvimento de melhores estratégias de pensamento.
• Permite não apenas entender melhor e mais rapidamente as situações, mas também ter a possibilidade de mudar a forma de pensar que levou a elas.
• Permite aperfeiçoar a comunicações e as relações interpessoais.
• Permite perceber e entender as situações com mais clareza, extensão e profundidade.
• Por isso, aumenta a capacidade de tomar decisões de grande amplitude e longo prazo.
O que se aprende por meio do pensamento complexo
• Que pequenas ações podem levar a grandes resultados (efeito borboleta).
• Que nem sempre aprendemos pela experiência.
• Que só podemos nos autoconhecer com a ajuda dos outros.
• Que soluções imediatistas podem provocar problemas ainda maiores do que aqueles que estamos tentando resolver.
• Que não existem fenômenos de causa única.
• Que toda ação produz efeitos colaterais.
• Que soluções óbvias em geral causam mais mal do que bem.
• Que é possível (e necessário) pensar em termos de conexões, e não de eventos isolados.
• Que os princípios do pensamento sistêmico podem ser aplicados a qualquer sistema.
• Que os melhores resultados vêm da conversação e do respeito à diversidade de opiniões, não do dogmatismo e da unidimensionalidade.
• Que o imediatismo e a inflexibilidade são os primeiros passos para o subdesenvolvimento, seja ele pessoal, grupal ou cultural.
Intróito
No princípio foi a palavra, o verbo que se fez matéria,energia e carne.
Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.
Deus disse: Faça-se um firmamento entre as águas e separe ele uma das outras, e assim segue a narrativa do Gênese (As origens da criação)
Nosso Universo foi criado pelo som, como foram todos os demais universos.
Do caos, dos abismos das trevas foram formados todos os sistemas solares produzidos pela Palavra/Som.
O cientista Donald Hatch Andrews, em seu livro The Symphony of Life, declarou que o universo não é feito de matéria, e sim de música - ligando o pensamento moderno com as idéias sempre revisitadas de Pitágoras de cerca de vinte e cinco séculos atrás.
Ênfase no ouvido
O ouvido humano é o sistema mais elaborado, sofisticado, preciso e complexo depois do cérebro.Ele transforma a energia sonora, na forma de pressão do ar (ondas mecânicas) exercida no tímpano em impulsos elétricos cerebrais.
Enquanto nossa visão é sensível a luz, perceptíveis através de vibrações (ondas) eletromagnéticas de freqüências entre 3,85 x 10 elevado à 14 Hz a 7,90 x 10 elevado à 14 HZ com um intervalo visual de “uma oitava”; o ouvido humano é sensível a uma faixa de freqüência de “dez oitavas” ou seja de 16 HZ a 16.000 Hz. O ouvido humano distingue através de uma análise espectral muitíssimo rápida, em torno de 0,020 segundos, de 3.000 a 4.000 tons diferentes com facilidade, suportando uma variação de intensidade entre 10 elevado a -12 Watts e 10 elevado a 2 Watts no limite superior da audição na faixa de 2.500/3.000 Hz.
Podemos dizer de forma comparativa /analógica que o ouvido é como uma balança que pesa com a mesma precisão, de um grama até uma tonelada sem mudar de escala.Enquanto precisamos de dois olhos para termos noção de profundidade ou estereoscopia, basta um ouvido para termos noção relativa de distância.
Em suma podemos dizer que o ouvido humano é um sistema apuradíssimo, de altíssima precisão que captura e transmite de forma velocíssima, todo um universo sonoro até o cérebro, produzindo no ser ouvinte, subjetividades psicoacústicas em forma de emoções, comoções, pensamentos, desejos, sonhos, imaginações, idéias, percepções, sensações, lembranças, sentimentos, etc., originando de efeitos psicofisiológicos, até psicoespirituais de transcendência e enlevo místico.
A audição funciona como um canal para apreensão lógica e de cognição objetiva consciente e/ou inconsciente de subjetividades extra-sensoriais.
Nesse ínterim, façamos uma rápida digressão que pode ser considerada controvérsia: Para nosso bem estar(físico, emocional, mental e espiritual) a audição pode ser mais importante do que a visão. Os cegos se orientam muito melhor do que os surdos em seu mundo interior e até no para eles escuro mundo exterior. Os surdos entram em depressão mais freqüentemente, e acabam ficando tão isolados que são incapazes de vibrar com os outros e com a vida.Se os olhos podem ser a janela da alma, através dos ouvidos se escuta o coração.
A vida é vibração como hoje constatam tanto físicos, quanto místicos, estes desde tempos ancestrais(tudo se move, tudo vibra, gerando ritmo e som).Ora, quem além de perceber e saber dar importância à informação colhida pela audição, aprende a escutar e não tarda a ouvir a sua voz interior e quiça descobrir um Universo que lhe fale num nível novo e inusitado.
Então essa pessoa aprende a escutar com um significado mais profundo, especificamente “aquela voz interior” a “voz do silêncio” que tem a tendência a se transformar na “Voz de Deus”. Diga-se de passagem, que quando oramos temos a intenção e a expectativa que “Deus ouça as nossas preces”. Misticismo à parte, apurar o ouvir efetivamente nos torna mais perceptivo, conectado, evoluído.
Música, Divina Música
O fenômeno sonoro que mais amplamente atinge o ser humano, em nossa moderna sociedade de massas é a música, em suas mais variadas formas e estilos, e nos mais variados veículos /mídias de difusão e recepção.
A música pode ser considerada como uma das formas mais elevada e profunda de se colocar o ser humano em contato com a sua própria essência e a do universo, sendo que grandes filósofos de várias épocas como Platão, Arquimedes, Galileu, Pitágoras usaram expressões como: harmonia das esferas, sinfonia do universo, cadência da vida, linguagem de Deus, em alusão à música.
A música constitui um fenômeno intangível, manifestado pela interrupção engenhosa do silêncio por sons /ruídos, criando um efeito audioestético subjetivo e inefável.É parte intrínseca da linguagem universal da humanidade, constituindo-se num alimento vital para sua saúde criativa e espiritual, bem como elemento poderoso de equilíbrio.
Poderíamos nos estender quase que indefinidamente em arrazoados sobre a música, aprofundando suas amplas implicações, seu papel civilizatório e cultural, etc., o que foge ao propósito deste texto., sendo que encerramos esta parte com a seguinte afirmação:
A música deve assumir o seu lugar
Como a mais elevada das artes
Aquela que, mais que qualquer outra,
Contribui para felicidade humana
Herbert Spencer
Música Onipresente
Nas últimas décadas a difusão /recepção da música se tornou ubíqua na vida das pessoas, paralelamente à massificação e modernização /tecnologia dos meios de comunicação e equipamentos eletrônicos(Emissoras de Rádio, Televisão, Indústria do Cinema, Fonográfica e Cultural /Entretenimento, Publicidade, Internet, rádio, aparelho de som doméstico, automotivo, CD Player, MP3 Player, Videocassete, DVD, Home Theater, cinema, sistemas de sonorização para shows ao vivo etc.)
Ouve-se música no rádio em casa, no automóvel, na televisão, no cinema, na rua, no elevador, na loja, na festa, no baile, no consultório, no elevador, no shopping center, no telefone, na sala de espera, no churrasco, no supermercado, através do veículo de propaganda móvel, no motel (nesse caso sem constatação própria, apenas de ouvir falar), e em situações às vezes insólitas.
O Brasil é considerado um dos maiores mercados consumidores de música do planeta, e concomitante um dos três maiores produtores(ao lado dos EUA e Reino Unido) de música popular, sendo a “MPB Clássica” consensualmente considerada uma das mais genuínas ricas, criativas e consistentes(muitos célebres e/ou conceituados músicos, críticos, analistas, a consideram junto da música afro-americana, com a devida separação do joio do trigo em ambas,
a melhor música produzida no planeta Terra).
Não obstante, o Brasil(Estado/ Sociedade) em plena Era da Economia Criativa e do Conhecimento, da valorização dos Capitais Intangíveis, da Ética, e da Estética, não possui uma Política consistente de Educação, Cultura e de Comércio Exterior que privilegie a Música, que crie um mercado para este excepcional produto que é a Música Popular Brasileira com toda a sua diversidade e criatividade.Deixa a mercê da indústria cultural e dos meios de comunicação que através de um viés estritamente mercantilista, torna a música uma reles mercadoria de entretenimento fútil, veiculada e vendida de forma arbitrária, sem nenhum critério qualitativo, estético, ético, e cultural; dirigida quase que exclusivamente, e de forma socialmente irresponsável ao segmento jovem que se torna presa fácil, já que ainda está com seu senso crítico, estético e de percepção de mundo em formação.
É inconteste a baixíssima qualidade da “música popular de massas” consumida principalmente pela juventude, seja de que ângulos ou critérios tanto objetivos/ técnicos ou subjetivos/ estéticos que se analise.(fenômeno este de abrangência mundial diga-se de passagem)
Trata-se de uma música plana, padronizada, minimalista, pobre em seus elementos fundamentais: ritmo, melodia, harmonia e letra; de baixo valor artístico, fútil, fugaz, vulgar, bizarra, canhestra, enfadonha, involutiva e potencialmente deletéria e nociva à sensibilidade e aos bons instintos.(não sendo ocioso e inevitável muitas vezes correlacioná-la com distúrbios psíquicos, comportamentais, éticos, drogas, violência, prostituição, corrupção, etc. seja como causa e/ou conseqüência)
Pode se alegar que a opinião aqui expressa, está carregada de conservadorismo, “preconceito” ou que “gosto não se discute”, como muitas vezes se contra argumenta, não raro fruto de insensibilidade, ignorância e /ou leviandade.
Mas o juízo de valor aqui externado, provém de uma análise crítica, de “pós-conceito” e até da “concordância” de que gosto não se discute “se lamenta”.
A Música devido ao seu papel social, político, econômico, relevância espiritual e demais aspectos implicativos aqui sumariamente levantados, precisa ser privilegiada, no sentido de ser devidamente cultuada, cultivada, e “consumida” democraticamente com consciência, senso estético, emoção, enlevo e genuína alegria.
O mundo na encruzilhada e a carência de competências essenciais
0 comentários Postado por Carlos Ronaldo Santos às 09:43Que o mundo vive uma crise multifacetada e sem precedentes, isso não é novidade para ninguém, ou não deveria ser. Mas será que as nossas “elites dirigentes” detêm ou estão adquirindo as competências e habilidades necessárias para o enfrentamento dos complexos problemas que estão nos desafiando.
A impressão que eu tenho é que medidas são tomadas pautadas nos velhos paradigmas, sem ousadia e criatividade, ou seja, sem inovação, resultando em soluções pífias, inócuas e não raro com efeitos colaterais nocivos.
O modelo educacional fruto do modelo mental e cosmovisão linear cartesiana se mostra inadequado, fragmentado e calcado na especialização e no tecnicismo puro.
Estão as escolas hoje particularmente no Brasil, ensinando em todos os níveis desde o ensino fundamental à pós-graduação, por exemplo: a teoria do caos, o pensamento complexo, a filosofia integral, estruturas dissipativas, autopoiese, ética, metafísica, espiritualidade e música principalmente?
Sim eu disse música em toda sua amplitude e profundidade possível.
A música tem uma relação com a vitrine de arquétipos da vida, com fenômenos dos mais diversos níveis, com a potencialização do pensar, do sentir e do agir humano, ou seja de suas diferentes inteligências e múltiplas dimensões.
De preferência deve-se escutar e estudar Música. Música de Qualidade sem relativismos pluralistas, ou igualitárismos; estou falando do padrão hierárquico de um Bethoven, Mozart, Bach, Tom Jobim, Miles Davis, Elis Regina, Milton Nascimento, Pat Metheny, Steve Wonder, George Benson, Chico Buarque, Gilberto Gil, John Coltrane, César Camargo Mariano, citados aqui aleatoriamente, e mais uma miríades de músicos autênticos e suas obras de várias épocas, gêneros e estilos, fartamente disponíveis.
A vida acelerou, o mundo se tornou mais complexo, assim como a relação entre as pessoas e destas com o meio ambiente.
Há de se buscar formar cidadãos e profissionais de perfil transdisciplinar, que inclua emoções, sentimentos, dúvidas, imaginação, intuição, e a ação concreta, onde idealmente se conjugue as facetas de cientista, filósofo, artista e místico, agregando à dimensão lógica, valores universais como a ética, o amor, a compaixão, e a paz.
O atual cenário irá exigir habilidades e competências totalmente diferentes das adquiridas e oferecidas pelas escolas até aqui.
Uma das competências básicas será a de estar conectado, antenado, sendo capaz de sintonizar, capturar o espírito da época para poder se inserir e interferir com eficácia, consciência e elegância na sociedade.
Assim urge que a preparação dos indivíduos em geral seja repensada e transcenda a mera recepção passiva de teorias e informações de segunda mão, descontextualizadas, inconsistentes, conjecturais, modelares e abstratas nas salas de aula, workshops, congressos e seminários da vida.
A maioria das instituições de ensino se enaltecem do que tem a oferecer de saberes e conhecimentos codificados e estruturados em disciplinas. Ou seja o que já se sabe previamente.
Porém uma outra dimensão do conhecimento comporta o não saber, o mergulho no desconhecido, no ventre quente do caos, do flerte com o intangível, o imponderável, com o supra-sensorial.
Vivemos tempos céleres, que nos impõe integrar em real time o pensar, o sentir e o fazer, que constituem um processo vívido que mediado pela Música, permitirá dar uma perspectiva artística, no muitas vezes árido e vulgar cotidiano, inclusive na apreensão do conhecimento no terreno da educação, tornando-a íntima da vida, preparando seres humanos sapientes, de inteligências múltiplas e integralmente competentes.