Intróito
No princípio foi a palavra, o verbo que se fez matéria,energia e carne.
Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.
Deus disse: Faça-se um firmamento entre as águas e separe ele uma das outras, e assim segue a narrativa do Gênese (As origens da criação)
Nosso Universo foi criado pelo som, como foram todos os demais universos.
Do caos, dos abismos das trevas foram formados todos os sistemas solares produzidos pela Palavra/Som.
O cientista Donald Hatch Andrews, em seu livro The Symphony of Life, declarou que o universo não é feito de matéria, e sim de música - ligando o pensamento moderno com as idéias sempre revisitadas de Pitágoras de cerca de vinte e cinco séculos atrás.
Ênfase no ouvido
O ouvido humano é o sistema mais elaborado, sofisticado, preciso e complexo depois do cérebro.Ele transforma a energia sonora, na forma de pressão do ar (ondas mecânicas) exercida no tímpano em impulsos elétricos cerebrais.
Enquanto nossa visão é sensível a luz, perceptíveis através de vibrações (ondas) eletromagnéticas de freqüências entre 3,85 x 10 elevado à 14 Hz a 7,90 x 10 elevado à 14 HZ com um intervalo visual de “uma oitava”; o ouvido humano é sensível a uma faixa de freqüência de “dez oitavas” ou seja de 16 HZ a 16.000 Hz. O ouvido humano distingue através de uma análise espectral muitíssimo rápida, em torno de 0,020 segundos, de 3.000 a 4.000 tons diferentes com facilidade, suportando uma variação de intensidade entre 10 elevado a -12 Watts e 10 elevado a 2 Watts no limite superior da audição na faixa de 2.500/3.000 Hz.
Podemos dizer de forma comparativa /analógica que o ouvido é como uma balança que pesa com a mesma precisão, de um grama até uma tonelada sem mudar de escala.Enquanto precisamos de dois olhos para termos noção de profundidade ou estereoscopia, basta um ouvido para termos noção relativa de distância.
Em suma podemos dizer que o ouvido humano é um sistema apuradíssimo, de altíssima precisão que captura e transmite de forma velocíssima, todo um universo sonoro até o cérebro, produzindo no ser ouvinte, subjetividades psicoacústicas em forma de emoções, comoções, pensamentos, desejos, sonhos, imaginações, idéias, percepções, sensações, lembranças, sentimentos, etc., originando de efeitos psicofisiológicos, até psicoespirituais de transcendência e enlevo místico.
A audição funciona como um canal para apreensão lógica e de cognição objetiva consciente e/ou inconsciente de subjetividades extra-sensoriais.
Nesse ínterim, façamos uma rápida digressão que pode ser considerada controvérsia: Para nosso bem estar(físico, emocional, mental e espiritual) a audição pode ser mais importante do que a visão. Os cegos se orientam muito melhor do que os surdos em seu mundo interior e até no para eles escuro mundo exterior. Os surdos entram em depressão mais freqüentemente, e acabam ficando tão isolados que são incapazes de vibrar com os outros e com a vida.Se os olhos podem ser a janela da alma, através dos ouvidos se escuta o coração.
A vida é vibração como hoje constatam tanto físicos, quanto místicos, estes desde tempos ancestrais(tudo se move, tudo vibra, gerando ritmo e som).Ora, quem além de perceber e saber dar importância à informação colhida pela audição, aprende a escutar e não tarda a ouvir a sua voz interior e quiça descobrir um Universo que lhe fale num nível novo e inusitado.
Então essa pessoa aprende a escutar com um significado mais profundo, especificamente “aquela voz interior” a “voz do silêncio” que tem a tendência a se transformar na “Voz de Deus”. Diga-se de passagem, que quando oramos temos a intenção e a expectativa que “Deus ouça as nossas preces”. Misticismo à parte, apurar o ouvir efetivamente nos torna mais perceptivo, conectado, evoluído.
Música, Divina Música
O fenômeno sonoro que mais amplamente atinge o ser humano, em nossa moderna sociedade de massas é a música, em suas mais variadas formas e estilos, e nos mais variados veículos /mídias de difusão e recepção.
A música pode ser considerada como uma das formas mais elevada e profunda de se colocar o ser humano em contato com a sua própria essência e a do universo, sendo que grandes filósofos de várias épocas como Platão, Arquimedes, Galileu, Pitágoras usaram expressões como: harmonia das esferas, sinfonia do universo, cadência da vida, linguagem de Deus, em alusão à música.
A música constitui um fenômeno intangível, manifestado pela interrupção engenhosa do silêncio por sons /ruídos, criando um efeito audioestético subjetivo e inefável.É parte intrínseca da linguagem universal da humanidade, constituindo-se num alimento vital para sua saúde criativa e espiritual, bem como elemento poderoso de equilíbrio.
Poderíamos nos estender quase que indefinidamente em arrazoados sobre a música, aprofundando suas amplas implicações, seu papel civilizatório e cultural, etc., o que foge ao propósito deste texto., sendo que encerramos esta parte com a seguinte afirmação:
A música deve assumir o seu lugar
Como a mais elevada das artes
Aquela que, mais que qualquer outra,
Contribui para felicidade humana
Herbert Spencer
Música Onipresente
Nas últimas décadas a difusão /recepção da música se tornou ubíqua na vida das pessoas, paralelamente à massificação e modernização /tecnologia dos meios de comunicação e equipamentos eletrônicos(Emissoras de Rádio, Televisão, Indústria do Cinema, Fonográfica e Cultural /Entretenimento, Publicidade, Internet, rádio, aparelho de som doméstico, automotivo, CD Player, MP3 Player, Videocassete, DVD, Home Theater, cinema, sistemas de sonorização para shows ao vivo etc.)
Ouve-se música no rádio em casa, no automóvel, na televisão, no cinema, na rua, no elevador, na loja, na festa, no baile, no consultório, no elevador, no shopping center, no telefone, na sala de espera, no churrasco, no supermercado, através do veículo de propaganda móvel, no motel (nesse caso sem constatação própria, apenas de ouvir falar), e em situações às vezes insólitas.
O Brasil é considerado um dos maiores mercados consumidores de música do planeta, e concomitante um dos três maiores produtores(ao lado dos EUA e Reino Unido) de música popular, sendo a “MPB Clássica” consensualmente considerada uma das mais genuínas ricas, criativas e consistentes(muitos célebres e/ou conceituados músicos, críticos, analistas, a consideram junto da música afro-americana, com a devida separação do joio do trigo em ambas,
a melhor música produzida no planeta Terra).
Não obstante, o Brasil(Estado/ Sociedade) em plena Era da Economia Criativa e do Conhecimento, da valorização dos Capitais Intangíveis, da Ética, e da Estética, não possui uma Política consistente de Educação, Cultura e de Comércio Exterior que privilegie a Música, que crie um mercado para este excepcional produto que é a Música Popular Brasileira com toda a sua diversidade e criatividade.Deixa a mercê da indústria cultural e dos meios de comunicação que através de um viés estritamente mercantilista, torna a música uma reles mercadoria de entretenimento fútil, veiculada e vendida de forma arbitrária, sem nenhum critério qualitativo, estético, ético, e cultural; dirigida quase que exclusivamente, e de forma socialmente irresponsável ao segmento jovem que se torna presa fácil, já que ainda está com seu senso crítico, estético e de percepção de mundo em formação.
É inconteste a baixíssima qualidade da “música popular de massas” consumida principalmente pela juventude, seja de que ângulos ou critérios tanto objetivos/ técnicos ou subjetivos/ estéticos que se analise.(fenômeno este de abrangência mundial diga-se de passagem)
Trata-se de uma música plana, padronizada, minimalista, pobre em seus elementos fundamentais: ritmo, melodia, harmonia e letra; de baixo valor artístico, fútil, fugaz, vulgar, bizarra, canhestra, enfadonha, involutiva e potencialmente deletéria e nociva à sensibilidade e aos bons instintos.(não sendo ocioso e inevitável muitas vezes correlacioná-la com distúrbios psíquicos, comportamentais, éticos, drogas, violência, prostituição, corrupção, etc. seja como causa e/ou conseqüência)
Pode se alegar que a opinião aqui expressa, está carregada de conservadorismo, “preconceito” ou que “gosto não se discute”, como muitas vezes se contra argumenta, não raro fruto de insensibilidade, ignorância e /ou leviandade.
Mas o juízo de valor aqui externado, provém de uma análise crítica, de “pós-conceito” e até da “concordância” de que gosto não se discute “se lamenta”.
A Música devido ao seu papel social, político, econômico, relevância espiritual e demais aspectos implicativos aqui sumariamente levantados, precisa ser privilegiada, no sentido de ser devidamente cultuada, cultivada, e “consumida” democraticamente com consciência, senso estético, emoção, enlevo e genuína alegria.
O nome do blog é um neologismo e trocadilho, junção do substantivo verve com o “verbo” reverberar alusivo à reverberação.
Tem a pretensão legítima de expor idéias, opiniões, conceitos, informações, teorias, teses, em suma, conteúdos que possuam consistência, vigor de expressão, vivacidade, imaginação viva e ardente e que estimulem e reforcem no leitor reflexões, que se prolonguem e se propaguem, gerando feedbacks e iniciativas que possam nos ajudar na medida do possível a compreender e agir de forma inteligente em relação às questões essenciais da vida e do mundo.
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