A minha percepção é que a crise econômico-financeira em curso não é mais uma das recorrentes crises do sistema capitalista, por alguns aspectos que passo a enumerar:

1- A sua trajetória começando no mercado de crédito imobiliário, passando para o sistema bancário, depois pelas bolsas de valores e por fim para a economia dita real.
2- O seu caráter sistêmico e contagioso em face da interdependência dos mercados numa economia globalizada.
3- A colocação em check dos pressupostos ideológicos do fundamentalismo de livre mercado ou neoliberalismo como: laissez-faire, auto-regulação ou mão invisível, equilíbrio de expectativas racionais, liberdade de fluxo de capitais, eficiência econômica, margens crescentes de lucro, mercados competitivos, etc.
4- O nível de mobilização e de intervenção dos governos no sistema econômico.
5- A extensão da crise e a iminente ameaça de um colapso econômico global sem precedentes.
6- A sua natureza que foge bastante do padrão “destruição criativa”

Seria pretensão neste momento da crise cujos desdobramentos me parecem imprevisíveis, apregoar um possível ou provável fim do modelo econômico capitalista, mas certamente a sua continuidade se dará sem a hegemonia do pensamento neoliberal.

Eu diria que esta crise associada às outras crises que atingem de forma acentuada e crescente a civilização humana, como o efeito estufa, a crise ambiental, a energética, a fome, a violência, as drogas, etc. são oriundas de um modelo mental ultrapassado, de visões deturpadas e limitadas, de interesses escusos, de noções equivocadas de poder, de muita omissão e falta de vontade política, e por aí afora.

Crises significam oportunidades e necessidades de decisões, e o mundo vem perdendo sistematicamente um número excessivo das primeiras e cometido na melhor das hipóteses muitos equívocos em relação às segundas; fruto da ignorância, do egoísmo, do orgulho, da ganância, da insegurança e do medo.

É possível que diante de toda esta problemática estejamos diante de um “rito de passagem” onde a introdução de possibilidades amplamente destrutivas no campo da atividade humana e planetária, implica que nos aproximamos do momento em que o padrão cíclico que este campo opera tornou-se saturado, e afastado em demasia do seu objetivo original e funcional, necessitando urgentemente de uma alteração drástica, sob a pena do rumo inexorável para extinção.

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