A mentira nos seus mais variados graus é um ente abstrato, onipresente, contumaz, que permeia a quase totalidade dos processos humanos, em todas as épocas e nos mais variados domínios: Política, Economia, Religião, Ciências, Artes, Esportes, Negócios, Justiça (Direito), Defesa Militar e assim por diante.
Em alguns momentos históricos ela se torna escancarada, provocando um verdadeiro tsunami no oceano de insinceridade sócio-cultural.
Vamos aqui nos furtar a dar exemplos que são por demais abundantes, sejam velados ou explícitos e que estão aí para constatação de qualquer observador, sem necessidade de muita argúcia, perspicácia; apenas de um pouco de boa vontade, inteligência e espírito crítico.
Alguém já afirmou que a diferença básica entre o ser humano, auto-denominado racional ou homo sapiens e os demais animais ditos ou considerados irracionais; é que o primeiro mente para os seus semelhantes e não raro para si próprio.
Em suas mais variadas formas desde a pantomima, a tergiversação, o sofisma, o simulacro, a manipulação, a propaganda enganosa, o blefe, o logro, a mentira deslavada, o discurso cretino, cínico e farsante; o argumento falaz, a promessa vã, a justificativa desonesta, a desonestidade intelectual, a informação tendenciosa, a interpretação capciosa, e outras inúmeras variantes da mentira; grassam sob a aceitação tácita, conformista, e bovina da grande maioria.
A Humanidade acostumou-se com a mentira e com ela convive de forma consciente ou semi-consciente, de forma promíscua, auto-prejudicial aos seus interesses mais elevados; num exercício apático e ocioso de complacência, consentimento, condescendência, permissividade, cumplicidade, e alienação; num compasso de espera inerme por coisa alguma, ou quem sabe pelo colapso.
Esporádicamente ou espasmódicamente surge um foco de rebelião, de crítica,de protesto, um surto de inconformismo; restritos, circunscritos, mas logo a acomodação, a "ordem natural das coisas", "a normalidade", a pasmaceira, se impõem de uma ou outra forma; e as nulidades, a mediocridade renitente, triunfa impávida e solene.
Seria de bom alvitre que encontrássemos formas verazes, genuínas e eficazes de pelo menos diminuírmos a taxa, a incidência, a frequência, e a amplitude da mentira, que inunda o seio sócio-cultural, as esferas do convívio humano, e consequentemente os seus efeitos nefastos, deletérios. Como disse um certo Mestre: Busque a verdade e ela vos libertará.
Um político não necessariamente é um Líder.
Os que se preocupam mais com as eleições do que com aquilo que
pode ser de melhor para os seus representados não têm
a visão e a integridade que os qualificariam como verdadeiros
Líderes.
O Líder sempre age de acordo com a sua visão, levando
em cuidadosa consideração os pontos de vista e os sentimentos
de seus constituintes, a abrangência holística desses pontos
de vista, notando como os raios da roda convergem para o eixo
central de equilíbrio, que é a verdade.
para a sociedade, para o meio ambiente e para todos que poderão ser afetados
dentro de um prazo de tempo ideal.
Um Líder pode aparecer no campo da política, como em qualquer outro
campo, mas o verdadeiro Líder não se deixa controlar pelas eleições
ou por pesquisas de opinião.
O verdadeiro Líder está em consonância com os ritmos que marcam a
pulsação do coração coletivo; é inspirado e guiado por esses ritmos.
O Líder não se impressiona com flutuações superficiais ou com aqueles
que facilmente caem sob seu encanto.
Um bom Líder sabe que, à medida
que os sistemas de produção e de intercâmbio das nações do mundo se
entrelaçam cada vez mais numa economia global única, a visão que
permanece local, ou mesmo de escopo nacional, em termos de realidade
planetária, pode se tornar reduzida e limitada.
O clima político-econômico deste mundo só agora entrou no redemoinho
das últimas décadas da história. O passo da mudança continuará acelerando
até os primeiros anos da segunda década do século XXI.
O bom Líder procurará facilitar, e não ignorar, o que é essencialmente
a revolução mais fundamental desde que a humanidade passou a ser diferenciada
de seus primos mamíferos.
Numa sociedade sadia, a economia sempre segue a ecologia; e a educação precede
a ambas.
Uma breve análise do caos contemporâneo e da crise espiritual
Um dos maiores equívocos de nosso tempo é acreditar exclusivamente na onipotência da Ciência Lógica e Materialista, no Desenvolvimento Econômico e Tecnológico e na Inteligência Humana. Essa crença insere no cérebro humano a idéia de que questões metafísicas como a espiritualidade, a transcendência, o conhecimento e o saber dito esotérico-metafísico, a existência do Espírito e do Superior; não passariam de meros conceitos abstratos, utopias imaginativas, fantasias, mitos psico-socioculturais superados, inúteis e anacrônicos.
Segundo a crença comum, a série de avanços científico-tecnológicos “vertiginosos” e o significativo “progresso” de nossa civilização, demonstram de forma cabal a superioridade do intelecto, da razão humana e da cultura vigente. Assim, o Espírito e o Superior não teriam cabimento na existência do “evoluído homo sapiens” da era pós-moderna.
Desse modo a sociedade humana em quase toda sua totalidade, mormente no Ocidente, sob os auspícios da globalização, está impregnada de uma cultura radicalmente monolítica, monológica, sensorial-materialista, voltada para o consumo, o acúmulo, o lucro, o pragmatismo calculista, a produtividade, os indicadores e resultados mensuráveis estritamente quantitativos.
Predomina o tecnicismo, o mercantilismo, o monetarismo, a desumanização, o caos moral e ético, a alienação, por não dizer a quase completa automatização despersonalizada dos seres humanos, tornando-os “falsos humanos”, “andróides serventes”, “clones dementes”, “robôs existenciais”.
De forma tácita a idéia de que “Deus está morto” cada vez mais se entranha na psique humana. Acredita-se que o ser humano já alcançou um grande desenvolvimento evolutivo, razão porque é desnecessário procurar o transcendente, uma vez que tudo pode ser explicado racionalmente e cientificamente e o “importante são os resultados”, “o aqui e agora”, a liberação irrestrita e merecida para o desfrute, o conforto, o prazer, o gozo imediato.
O Homem se “transforma” num ser onipotente, dependendo unicamente da sua inteligência, vontade, livre arbítrio e perspicácia, tendo como metas exclusivas o acúmulo material, a ascensão social e profissional, o status e o poder.
No que tange à boa parte da prática religiosa corrente, se analisarmos de forma honesta e corajosa, sem nos furtarmos de entrar no terreno movediço do juízo de valor da fé alheia, concluiremos que ela, oculta sob uma religiosidade aparente, dos rituais normativos, dos dogmas e da exegese das doutrinas, uma ausência de interesse em buscar um profundo conhecimento da Verdade e do Superior, fruto da rigidez dogmática, preconceito, da acomodação e da inércia tradicionalista que transforma prática religiosa, numa praxe meramente social e espiritualmente inócua.
Não raro estabelece-se uma incoerência perceptível, até mesmo um grande fosso, entre a doutrina e os mandamentos que o crente professa, e sua prática social, atitudes, seu discurso, sua ideologia, preconceitos e “convicções mundanas” sob o manto da complacência e da omissão. A árvore é boa, mas os frutos...
Não podemos ignorar que existe ainda um grande contingente de seres humanos, que professam de forma sincera a sua fé em Deus, em Jesus Cristo, no seu(s) Santo(s) de devoção; às vezes numa relação estranha de medo do castigo nesta vida, no pós vida, no juízo final, buscando o perdão dos pecados, ou em forma de permanente pedido de proteção contra os males, de ajuda para dura batalha da vida, para concretização de um sonho, um milagre, um projeto, um desejo; adquirindo muitas vezes um caráter estrito de barganha.
A verdade é que os interesses mundanos norteiam a quase totalidade da vida humana, onde podemos constatar que são muito mais numerosos os “crente-ateus” do que os que se auto-intitulam propriamente ateus.
Paradoxalmente presenciamos a proliferação de “religiões”, seitas, credos, crenças, doutrinas, teologias da prosperidade, etc, das mais variadas nuanças e matizes, que contribui para banalização do transcendente, do sagrado, do religioso, por outro lado reforçando a ideologia e o discurso racional e materialista.
Por volta do século XV, surgem de forma “insondável” no ser humano uma “consciência” e um sentimento de potência, de querer entender, traduzir e dominar, explorar a natureza e o mundo, para seu exclusivo interesse, benefício, conforto e bem estar.
Desde o advento da Renascença, passando pelo Iluminismo, pela separação da Religião do Estado, a Revolução Científica e Industrial, o surgimento da sociedade de massas, etc., ocorre uma intensificação do uso do intelecto e do espírito crítico a serviço da ciência, da técnica e das artes.
Ocorre uma profusão avassaladora de conhecimentos, ideias, informações e conceitos nas diferentes áreas do interesse humano.
Paralelamente entra em declínio o prestígio das religiões, crenças, a representação de um mundo espiritual, de um Deus criador e mantenedor do Universo, do Estado e da família.
Conhecimentos milenares foram eclipsados, deturpados e esquecidos, as tradições de respeito aos mestres, aos anciões, a autoridade e os valores humanos inerentes, foram caindo em desuso.
Paulatinamente começa a imperar a solidão, a angústia, o cinismo, o niilismo e o desespero.
Ao contrário do que possa pensar a Ciência e a Cultura Dominante, o fato do ser humano chegar a produzir e realizar grandes obras científicas e tecnológicas não significa que seja sábio. Ao contrário, ainda está muito distante do verdadeiro conhecimento.
Basta ver o resultado das “grandes conquistas humanas” e o seu uso, para compreender a verdade dessa afirmação. Se a ciência valorizasse o Espírito, chegaria à conclusão lógica de que o verdadeiro conhecimento, a sabedoria perene, é algo mais do que o “quociente intelectual” e da “capacidade cognitiva”, mais do que a mera acumulação de dados e informações com fins específicos, em suma mais do que um conjunto de habilidades e capacidades cerebrais.
Por não agregarem à Ciência o estudo profundo do Espírito, da realidade íntima e oculta por trás do mundo fenomenológico, os seres humanos não adquirem um nível de Consciência que os despertem para pensar, sentir e agir segundo as Verdades Superiores enunciadas pelos Grandes Mestres e Iniciados, particularmente o Mestre dos Mestres, Jesus Cristo que disse a Nicodemus: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é Espírito”.
Como não possuem os meios para medir seu desenvolvimento com seres mais avançados, “sonham” que suas conquistas cognitivas e resultados materiais são a melhor prova de seu “extraordinário progresso evolutivo”.
Se os seres humanos levassem a pratica os Ensinamentos Superiores e aplicassem os Métodos deixados pelos Mestres, conquistaria um avanço psico-espiritual que os transformaria como espécie, que faria as suas conquistas intelectuais, científicas e tecnológicas parecerem como o resultado de um jogo de meninos sem controle.
Na verdade, o erro fundamental de relegar o espiritual a um “segundo plano”, priva o ser humano da sua natural capacidade de transcender o limitado campo cognitivo e de percepção estritamente sensorial, a que se encontra preso, tornando-o cheio de temores quanto ao futuro e escravo de um sistema que o aprisiona e o despoja de tudo o que poderia alcançar.
As conquistas materiais produzem para a nossa espécie escassas alegrias, não raro a custa de outras perdas essenciais, submetendo-a a viver em condições que provocam permanente estado de alerta e preocupação, fruto de medos, incertezas, angústias, descontrole, perda do sentido da vida e uma série interminável de transtornos que passam a ser considerados “normais” na sociedade atual.
Todas as “grandiosas” provas da “extraordinária racionalidade humana” ficam em check, quando contemplamos o panorama sombrio e desolador destes tempos: guerras, aumento da pobreza e da exclusão, violência em profusão, fome, novas enfermidades, tráfico e consumo de drogas, terrorismo e comércio de armas, comércio de órgãos, tráfico de mulheres e crianças, exploração e exposição imoral de sexo, consumismo e degradação do meio ambiente, e um cortejo imenso de outros males, todos produtos da separação do ser humano da sua essência, da centelha divina, do seu Eu Superior; todos frutos de uma inteligência desprovida da Sabedoria do verdadeiro Ser, e que converte cada ser humano numa peça a mais, inserida numa máquina cega, guiada por cegos condutores que não sabem que são cegos e, portanto não sabem para onde se dirigem.
Mediante a priori, um poderoso sistema de Mídia de Massas “manipuladora e (des) informativa”, controlada por grandes interesses econômicos, um Sistema Educacional “deformado e alienante”, Organizações manipuladoras,desvirtuadas e equivocadas, nos seus propósitos, travestidas de Religião, e um Sistema Econômico “predador e neo-darwinista” os seres humanos são literalmente hipnotizados, implantados por aqueles que detêm o poder. Estes que também são “escravos iludidos, inconscientes de forças superiores, que os fazem acreditarem em uma realidade “inexistente”, falsa e falaz, assim como é falsa e falaz a suposta liberdade que acham que desfrutam. (vejam ou revejam os filmes Matrix e Show de Truman como sugestão).
Os conhecimentos parciais e deturpados da realidade, conseqüência de uma educação e de uma mentalidade de consenso artificial que “programa”, mas não humaniza, são usados e aplicados nos seres humanos, tornando-os incapazes de controlar suas manifestações inferiores, seus baixos instintos, tais como a cobiça, a ambição desmedida, o desejo irracional de poder, o egoísmo, a inveja, a luxúria, entre outras, que falsamente são considerados como inerentes à espécie humana, quando não racionalizados e transmutados em virtudes.
Lamentavelmente nossa espécie ainda não é livre, estando sob o “jugo artificial” por miríades de controles, apesar da fraude com requintes de cinismo, de se propalar em vão, palavras e conceitos como: democracia, liberdade, felicidade, direitos humanos, responsabilidade social, desenvolvimento sustentável, etc., que é tudo o que não temos; como se o sedento em pleno deserto diante da repetição constante da palavra água saciasse a sua sede.
Apesar deste amplo mar de desalento ainda, sobressaem um contingente minoritário de seres humanos conscientes e éticos, que atuam e se expressam nos mais variados âmbitos da vida, de acordo com os sagrados Ensinamentos, ou seja: as Virtudes do Amor, da Honestidade, do Desapego, da Sobriedade, Serenidade, Equanimidade, da Ação Correta, da Justiça, Sabedoria, Compreensão. (Serão estes os escolhidos, os eleitos, o trigo separado do joio?)
Não obstante é inconteste a situação sombria, de insegurança, desespero, de caos e crise profunda por que passa a civilização humana.
Não cabe nesse espaço analisar pormenorizadamente as variadas, percepções, reações, propostas de soluções, abstrações, racionalizações, posturas e atitudes, dos mais variados estratos humanos, diante deste quadro dantesco e pré-apocalíptico. (efeito da dominação, programação e escravidão psicológica, descritos anteriormente)
Tal espectro vai desde a negação pura e simples, a relativização do fenômeno, passando pelo triunfalismo tecnológico-econômico, a indiferença, inércia, a alienação, não percepção/ inconsciência, ceticismo, cinismo, niilismo, hedonismo, conformismo, pragmatismo, escapismo, oportunismo, e outros “ismos” mais.
Qualquer crítica ou engajamento contra esse estado de coisas, ou uma postura anti-sistema, é vista com reservas, e sob névoa velada de censura, de sutil falsidade e de descrença. O crítico, mesmo com baixos níveis de indignação, é considerado, desajustado, inflexível, “ressentido social”, perdedor, tolo, diferente etc.
Muitos mesmo percebendo o abismo, são acometidos da auto-censura e do medo: É melhor aceitar as coisas como são/ Poderiam ou podem ficar piores/ Preocupar-se com isso, é perder tempo com utopias e ideais impossíveis / Devo velar pelos meus próprios interesses e minha sobrevivência.
Não vamos também aqui nos ater a avaliar as propostas convencionais das classes dominantes para superação dos problemas mundiais via democracia representativa (tipo euro/americana), intervencionismos, diplomacia, tecno-burocracia, economia de mercado, inovação, desenvolvimentismo, revolução científica, eco-ambientalismo e sim, apenas transcrever um aforismo atribuído a Albert Einstein: “Não se muda um estado de coisas, ou se resolve problemas utilizando da mesma mentalidade que os criaram”.
Encerro este arrazoado com a seguinte reflexão:
Urge que a humanidade desperte de seu estado de sono, transcenda o domínio do ego, resgate a sabedoria perene através da re-conexão com o Deus/Espírito, abandone velhos paradigmas, supere as mentalidades de consenso vigentes por exemplo: substitua a mentalidade competitiva, o modus vivendi consumista e predatório, suplante o materialismo, e o egocentrismo, redefina valores, começando a cultivar o Bom, o Belo e o Verdadeiro, a conjugar razão com compaixão, priorizar o Amor Fraterno e Solidário, em suma promover a Comunhão com o Espírito.
A demanda atual por recursos naturais ultrapassa em quase um terço o que o planeta tem condições de fornecer e, se continuar assim, em cerca de 30 anos o mundo precisará de duas Terras para que seja mantido o estilo de vida de seus habitantes.
Essa é a conclusão da organização WWF no relatório Planeta Vivo 2008, preparado em conjunto com a Zoological Society, de Londres, e o Global Footprint Network.
De acordo com o documento, o atual nível de consumo coloca em risco a futura prosperidade do planeta com impacto no custo de alimentos, água e energia.
"Se a nossa demanda por recursos do planeta continuar a aumentar no mesmo ritmo, até meados dos próximos anos 30 (década entre 2030 e 2040), nós precisaremos do equivalente a dois planetas para manter o nosso estilo de vida", disse o diretor da WWF International, James Leape.
Os ambientalistas afirmam que o planeta está em direção a uma "crise de crédito ecológico".
"Os eventos dos últimos meses têm servido para mostrar que é uma tolice extrema viver além dos nossos meios", disse o presidente internacional da WWF, Emeka Anyaoku.
"A crise financeira global tem sido devastadora, mas não é nada comparado à recessão ecológica que estamos enfrentando", afirmou.
Segundo Anyaoku, as perdas de cerca de US$ 2,8 trilhões sofridas pelas instituições financeiras com a crise - segundo estimativa recente do Banco da Inglaterra - são pequenas perto do equivalente a cerca de US$ 4,5 trilhões em recursos destruídos a cada ano.
'Devedores ecológicos'
O documento afirma que mais de três quartos da população do mundo vivem em países onde os níveis de consumo ultrapassam as condições de renovação ambiental.
Isso faz com que eles sejam "devedores ecológicos", o que significa que estão usando recursos agrícolas, florestais e marítimos que possuem e ainda os de outros países para sustentá-los.
Os países com o maior impacto no planeta são os Estados Unidos e a China, que, juntos, representam cerca de 40% da pegada ecológica do mundo - que mede a quantidade de terra e água necessária para fornecer os recursos utilizados e absorver os resíduos deixados.
Já outros países, como o Brasil, são “países credores ecológicos”, já que "ainda possuem mais recursos ecológicos do que consomem", e “exportam” sua biocapacidade para os devedores.
O relatório, divulgado bianualmente, traz dois indicadores da saúde da Terra. Um deles é o Índice Planeta Vivo, que reflete o estado dos ecossistemas do planeta.
Baseado nas populações mundiais de 1.686 espécies de vertebrados, como peixes, aves, répteis e mamíferos, esse indicador apresentou uma redução de quase 30% em apenas 35 anos.
O outro índice medido no relatório Planeta Vivo é a Pegada Ecológica, que evidencia a extensão e o tipo de demanda humana por recursos naturais e sua pressão sobre os ecossistemas.
A média individual mundial é de 2,7 hectares globais por ano.
O índice recomendado no relatório para que a biocapacidade do planeta seja suficiente para garantir uma vida sustentável seria de 2,1 hectares por ano por pessoa. No entanto, a média brasileira por pessoa já supera este patamar e está atualmente em 2,4 hectares por ano.
A inviável obsessão pelo crescimento econômico
0 comentários Postado por Carlos Ronaldo Santos às 06:03Em plena crise global, com governos e mercados preocupados com uma possível recessão mundial, a revista especializada britânica New Scientist foi às bancas nesta semana com uma capa na qual defende que a busca por crescimento econômico está matando o planeta e precisa ser revista.
Em uma série de entrevistas e artigos de especialistas em desenvolvimento sustentável, a revista pinta um quadro em que todos os esforços para desenvolver combustíveis limpos, reduzir as emissões de carbono e buscar fontes de energia renováveis podem ser inúteis enquanto nosso sistema econômico continuar em busca de crescimento.
“A Ciência nos diz que se for para levarmos a sério as tentativas de salvar o planeta, temos que remodelar nossa economia”, afirma a revista.
Segundo analistas consultados pela publicação, o grande problema na equação do crescimento econômico está no fato de que, enquanto a economia busca um crescimento infinito, os recursos naturais da Terra são limitados.
“Os economistas não perceberam um fato simples que para os cientistas é óbvio: o tamanho da Terra é fixo, nem sua massa nem a extensão da superfície variam. O mesmo vale para a energia, água, terra, ar, minerais e outros recursos presentes no planeta.
A Terra já não está conseguindo sustentar a economia existente, muito menos uma que continue crescendo”, afirma em um artigo o economista Herman Daly, professor da Universidade de Maryland e ex-consultor do departamento para o meio ambiente do Banco Mundial.
Para Daly, o fato de o nosso sistema econômico ser baseado na busca do crescimento acima de tudo, faz com que o mundo esteja caminhando para um desastre ecológico e também econômico, dadas as limitações dos recursos.
“Para evitar este desastre, precisamos mudar nosso foco do crescimento quantitativo para um qualitativo e impor limites nas taxas de consumo dos recursos naturais da Terra”, escreve.
“Nesta economia de estado sólido, os valores das mercadorias ainda podem aumentar, por exemplo, por causa de inovações tecnológicas ou melhor distribuição. Mas o tamanho físico dessa economia deve ser mantido em um nível que o planeta consiga sustentar”, conclui Daly, que compara a atual economia a um avião em alta velocidade e a sua proposta a um helicóptero, capaz de voar sem se mover.
Reformar o capitalismo
Mas essas mudanças no sistema não serão fáceis. Em uma entrevista à revista, James Gustav Speth, ex-conselheiro do governo Jimmy Carter (1977-1981) e da ONU, afirma que o movimento ambiental nunca conseguirá vencer dentro do atual sistema capitalista.
“A única solução é reformarmos o capitalismo atual. Os Estados Unidos cresceram entre 3% e 3,5% por um bom tempo. Há algum dividendo deste crescimento sendo colocado em melhores condições sociais? Não.
Os Estados Unidos têm que focar em indústrias sustentáveis, necessidades sociais, tecnologias e atendimento médico decente, e não sacrificar isso para fazer a economia crescer. Eu não defendo o socialismo, mas uma alternativa não-socialista para o capitalismo atual”, diz.
Ele também faz críticas ao atual movimento ambientalista.
“A comunidade ambientalista, pelo menos nos Estados Unidos, é muito fraca quando falamos sobre mudança de estilo de vida, consumo e sobre sua relutância em desafiar o crescimento ou o poder das corporações. Nós precisamos de um novo movimento político nos EUA. Cabe aos cidadãos injetarem valores que reflitam as aspirações humanas, e não apenas fazer mais dinheiro.
Obsessão pelo crescimento
A revista também traz um artigo que discute o argumento de que o crescimento econômico é necessário para erradicar a pobreza e que quanto mais ricos ficam alguns, a vida dos mais pobres também melhora. É a chamada Teoria do Gotejamento.
Segundo Andrew Simms, diretor da New Economics Foundation, em Londres, este argumento, além de “não ser sincero”, sob qualquer avaliação, é “ impossível”.
“Durante os anos 1980, para cada US$ 100 adicionados na economia global, cerca de US$ 2,20 eram repassados para aqueles que estavam abaixo da linha de pobreza.
Durante a década de 1990, esse valor passou para US$ 0,60. Essa desigualdade significa que para que os pobres se tornem um pouco menos pobres, os ricos tem que ficar muito mais ricos”.
Segundo ele, isto pode até parecer justo para alguns, mas não é sustentável.
“A humanidade está indo além da capacidade da biosfera sustentar nossas atividades anuais desde meados dos anos 1980. Em 2008, nós ultrapassamos essa capacidade anual em 23 de setembro, cinco dias antes do ano anterior”.
Ele ainda afirma ser impossível que um dia toda a humanidade tenha o padrão de vida dos países desenvolvidos.
“Seriam necessários pelo menos três planetas Terra para sustentar essas necessidades se todos vivessem nos padrões da Grã-Bretanha. Cinco se vivêssemos como os americanos”.
Para Simms, a Terra estaria inabitável há muito tempo antes que o crescimento econômico pudesse erradicar a pobreza.
Para que o mundo possa ter uma economia ecologicamente sustentável, segundo Simms, é preciso acabar com o preconceito de alguns em relação ao conceito de “redistribuição”, que, para ele, é o único modo viável de acabar com a pobreza.
“Só foi preciso alguns dias para que os governos da Grã-Bretanha e dos EUA abandonassem décadas de doutrinas econômicas para tentar resgatar o sistema financeiro de um colapso. Por que tem que demorar mais para introduzirem um plano para deter o colapso do planeta trazido por uma conduta irresponsável e ainda mais perigosa chamada obsessão pelo crescimento?”.
Pesquisando em meus arquivos, encontrei este artigo de Polo Noel Atan de 1999, enfático e sombrio em relação à situação do Planeta, que ora insiro para leitura, reflexão e comentários.
“UM PLANETA AGONIZANTE” – esta é hoje a situação da Terra, com a quase totalidade das chamadas RESERVAS NATURAIS (Mineral, Vegetal e Animal) esgotadas ou comprometidas.
A depredação irracional dos recursos, motivada pela ganância e ambição deste último século, aliada à destruição provocada da própria Natureza através de incêndios, alagamentos e movimentos do solo e também à destruição pelo homem da camada de ozônio, o efeito estufa, o degelo das calotas polares, o aumento da temperatura e a poluição em todos os seus aspectos, conduziram a Terra a esta situação desesperadora, com as mais sombrias perspectivas, caso não sejam tomadas medidas emergenciais para reverter o processo de deterioração e recuperação do que foi perdido.
A preservação da Vida Planetária, dos seus Quatro Reinos, depende exclusivamente da SAÚDE e EQUILÍBRIO do próprio Planeta, um doente em estado terminal.
A explosão demográfica descontrolada e o que é pior, a irracionalidade dos SISTEMAS VIGENTES, estão conduzindo TUDO e TODOS a um inevitável colapso.
Ilustração: População Mundial (Folha de São Paulo – 28.05.99)
ANO 0.001 POPULAÇÃO = 200 MILHÕES DE HAB.
ANO 1.650 POPULAÇÃO = 500 MILHÕES DE HAB.
ANO 1.804 POPULAÇÃO = 1 BILHÃO DE HAB.
ANO 1.913 POPULAÇÃO = 2 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.960 POPULAÇÃO = 3 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.974 POPULAÇÃO = 4 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.987 POPULAÇÃO = 5 BILHÕES DE HAB.
ANO 1.999 POPULAÇÃO = 6 BILHÕES DE HAB.
Nota: Pelos números divulgados observa-se que levou 1.804 anos para a população mundial saltar de 200 milhões para 1 BILHÃO e apenas nos últimos 12 anos (87/99 aumentou mais 1 BILHÃO).
Pouco ou quase nada têm adiantado as constantes advertências chamando a atenção para a necessidade de uma CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA e para a preservação do meio ambiente da Terra.
Existem, é verdade, as ações positivas de heróicos e pequenos grupos, que ousam desafiar os “poderosos”, contrariando seus interesses, numa desigual luta de pigmeus contra gigantes que atropelam tudo e todos os que se interpõem em seu caminho.
E o povo, cada vez mais condicionado à ignorância e a servir inocentemente a esses interesses, contribui poluindo sempre mais as grandes cidades, embriagando-se num consumismo desesperado, fazendo exatamente o “jogo” programado por ELES e assim, comprometendo ainda mais rapidamente toda a estrutura dos sistemas sociais que levaram séculos para serem conquistados.
Além disso, some-se também a nociva programação sistemática visando o desvirtuamento dos valores MORAIS, ÉTICOS e ESPIRITUAIS; de apoio e incentivo à competição feroz que gera a violência, induzindo cada um a considerar o seu semelhante como um inimigo em potencial; da deterioração dos sistemas de educação, saúde e infra-estrutura indispensáveis às sociedades civilizadas; do desrespeito aos valores de Pátria, Nação e País, subservientes ao CAPITAL.
Da proliferação pandêmica da corrupção e enfermidades que já tomaram conta do Globo; do desemprego em larga escala, do racismo e do radicalismo religioso exacerbados.
Eis aí, em poucas palavras, um panorama desta época moderna... Simplesmente o CAOS, com tendências para piorar cada vez mais.
A única saída que resta é a execução urgente de uma GRANDE REFORMA PLANETÁRIA, uma globalização em todos os sentidos, não apenas na economia. Observem como a FORÇA DA PAZ, juntamente com as FORÇAS DA NATUREZA já estão em plena ação; após o colapso dos sistemas atuais, será necessária a RECOMPOSIÇÃO e RECONSTRUÇÃO DO NOVO MUNDO, de NOVOS SISTEMAS, de NOVA SOCIEDADE, de um NOVO HOMEM, com o que restar de sadio da humanidade e dos recursos naturais.
Quando afirmamos que o Planeta está doente, não nos limitamos apenas ao seu aspecto físico; a pior doença é a distorção psíquica que compromete quase toda a Humanidade, que também se deixou corromper, absorvendo com voracidade espantosa as SEMENTES ENVENENADAS que lhes foram oferecidas.
Caso fôssemos estabelecer um paralelo entre o equilíbrio perfeito do Humanizado e o protótipo do homem comum atual mediano, chegaríamos à conclusão de que a loucura tomou conta de todos.
Seu sintoma mais significativo é a maneira como a mentira, a falsidade, a hipocrisia e a dissimulação se tornaram os artifícios mais usados em todas as formas de relacionamento humano.
Ainda com relação à Grande Reforma Planetária, suas coordenadas terão que abranger todos os campos de atividades humanas, a humanidade terá que absorver nova Consciência e novos Conceitos de si mesma perante os seus semelhantes, perante o Planeta.
Reflexões preliminares sobre a crise econômica-financeira global
0 comentários Postado por Carlos Ronaldo Santos às 14:12A minha percepção é que a crise econômico-financeira em curso não é mais uma das recorrentes crises do sistema capitalista, por alguns aspectos que passo a enumerar:
1- A sua trajetória começando no mercado de crédito imobiliário, passando para o sistema bancário, depois pelas bolsas de valores e por fim para a economia dita real.
2- O seu caráter sistêmico e contagioso em face da interdependência dos mercados numa economia globalizada.
3- A colocação em check dos pressupostos ideológicos do fundamentalismo de livre mercado ou neoliberalismo como: laissez-faire, auto-regulação ou mão invisível, equilíbrio de expectativas racionais, liberdade de fluxo de capitais, eficiência econômica, margens crescentes de lucro, mercados competitivos, etc.
4- O nível de mobilização e de intervenção dos governos no sistema econômico.
5- A extensão da crise e a iminente ameaça de um colapso econômico global sem precedentes.
6- A sua natureza que foge bastante do padrão “destruição criativa”
Seria pretensão neste momento da crise cujos desdobramentos me parecem imprevisíveis, apregoar um possível ou provável fim do modelo econômico capitalista, mas certamente a sua continuidade se dará sem a hegemonia do pensamento neoliberal.
Eu diria que esta crise associada às outras crises que atingem de forma acentuada e crescente a civilização humana, como o efeito estufa, a crise ambiental, a energética, a fome, a violência, as drogas, etc. são oriundas de um modelo mental ultrapassado, de visões deturpadas e limitadas, de interesses escusos, de noções equivocadas de poder, de muita omissão e falta de vontade política, e por aí afora.
Crises significam oportunidades e necessidades de decisões, e o mundo vem perdendo sistematicamente um número excessivo das primeiras e cometido na melhor das hipóteses muitos equívocos em relação às segundas; fruto da ignorância, do egoísmo, do orgulho, da ganância, da insegurança e do medo.
É possível que diante de toda esta problemática estejamos diante de um “rito de passagem” onde a introdução de possibilidades amplamente destrutivas no campo da atividade humana e planetária, implica que nos aproximamos do momento em que o padrão cíclico que este campo opera tornou-se saturado, e afastado em demasia do seu objetivo original e funcional, necessitando urgentemente de uma alteração drástica, sob a pena do rumo inexorável para extinção.
Venho compartilhar com os leitores deste blog o texto com o título acima, que faz parte do livro de Humberto Mariotti, As Paixões do Ego: Complexidade, Política e Solidariedade, da Editora Palas Athena, 2000 e aborda um conceito que entendo ser bastante pertinente para a construção de uma mentalidade propícia ao momento de crise, incertezas e transição que ora vivemos.
O que é complexidade?
A complexidade não é um conceito teórico e sim um fato da vida. Corresponde à multiplicidade, ao entrelaçamento e à contínua interação da infinidade de sistemas e fenômenos que compõem o mundo natural. Os sistemas complexos estão dentro de nós e a recíproca é verdadeira. É preciso, pois, tanto quanto possível entendê-los para melhor conviver com eles.
Não importa o quanto tentemos, não conseguimos reduzir essa multidimensionalidade a explicações simplistas, regras rígidas, fórmulas simplificadoras ou esquemas fechados de idéias. A complexidade só pode ser entendida por um sistema de pensamento aberto, abrangente e flexível — o pensamento complexo. Este configura uma nova visão de mundo, que aceita e procura compreender as mudanças constantes do real e não pretende negar a multiplicidade, a aleatoriedade e a incerteza, e sim conviver com elas.
Lembremos uma frase de Jean Piaget: "Os fenômenos humanos são biológicos em suas raízes, sociais em seus fins e mentais em seus meios". A experiência humana é um todo bio-psico-social, que não pode ser dividido em partes nem reduzido a nenhuma delas. Primeiro, percebemos o mundo. Em seguida, as percepções geram sentimentos e emoções. Na seqüência, estes são elaborados em forma de pensamentos, que vão determinar o nosso comportamento no cotidiano.
O modo como nos tornamos propensos (pela educação e pela cultura) a pensar é que vai determinar as práticas no dia-a-dia, tanto no plano individual quanto no social. Do ponto de vista bio-psico-social, o principal problema para a implantação do desenvolvimento sustentado (e portanto o desenvolvimento da cidadania) é a predominância, em nossa cultura, do modelo mental linear (ou lógica aristotélica, ou lógica do terceiro excluído).
Por esse modelo, A só pode ser igual a A. Tudo o que não se ajustar a essa dinâmica fica excluído. É a lógica do "ou/ou", que deixa de lado o "e/e", isto é, exclui a complementaridade e a diversidade. Desde os Gregos que esse modelo mental vem servindo de base para os nossos sistemas educacionais.
Essa lógica levou à idéia de que se B vem depois de A com alguma freqüência, B é sempre o efeito e A é sempre a causa (causalidade simples). Na prática, essa posição gerou a crença (errônea) de que entre causas e efeitos existe sempre uma contigüidade ou uma proximidade muito estreita. Essa concepção é responsável pelo imediatismo, que dificulta e muita vez impede a compreensão de fenômenos complexos, como os de natureza bio-psico-social.
O modelo mental cartesiano é indispensável para resolver os problemas humanos mecânicos (abordáveis pelas ciências ditas exatas e pela tecnologia). Mas é insuficiente para resolver problemas humanos em que participam emoções e sentimentos (a dimensão psico-social). Um exemplo: o raciocínio linear aumenta a produtividade industrial por meio da automação, mas não consegue resolver o problema do desemprego e da exclusão social por ela gerados, porque se trata de questões não-lineares. O mundo financeiro é apenas mecânico, mas o universo da economia é mecânico e humano.
Desde os primeiros dias de escola (e de vida, dentro da cultura), nosso cérebro começa a ser profundamente formatado pelo modelo linear. Para ele, o predomínio de um determinado pensamento, com exclusão de quaisquer outros é "lógico" e perfeitamente "natural". Essa é a base das ideologias em geral e do autoritarismo em particular. Desse modo, fenômenos como a exclusão social são também vistos como "lógicos", "naturais" e "inevitáveis".
O modelo mental linear-cartesiano forma a base do empirismo, que diz que existe uma única realidade, que deve ser percebida da mesma forma por todos os homens. Hoje, porém, sabe-se que não existe percepção totalmente objetiva (ver abaixo, no item 11, a posição de Humberto Maturana).
Por isso, nos últimos anos esse modelo de pensamento tem sido questionado de muitas formas, inclusive pelo pensamento complexo. Este permite entender os processos autopoiéticos (autoprodutores, auto-sustentados, autogestionários), dos quais as sociedade humanas constituem um exemplo.
O pensamento complexo baseia-se na obra de vários autores, cujos trabalhos vêm tendo ampla aplicação em biologia, sociologia, antropologia social e desenvolvimento sustentado. Uma de suas principais linhas é a biologia da cognição, de Maturana, que sustenta que a realidade é percebida por um dado indivíduo segundo a estrutura (a configuração bio-psico-social) de seu organismo num dado momento. Essa estrutura muda constantemente de acordo com a interação do organismo com o meio.
A diversidade de visões não impede (pelo contrário, pede) que cheguemos a acordos (consensos sociais) sobre o mundo em que vivemos. Esses consensos é que vão determinar as práticas sociais. Para que possamos chegar a consensos que levem em conta o respeito à diversidade de pontos de vista é necessário observar alguns parâmetros básicos:
• O que chamamos de racional é o resultado de nossas percepções. No início, elas surgem como sentimentos e emoções. Só depois é que se transformam em pensamentos, que geram discursos, que por fim são formalizados como conceitos.
• O racional vem do emocional, não o contrário. Isso não quer dizer que devamos deixar de ser racionais. Significa apenas que precisamos aprender a harmonizar razão e emoção, pensamento mecânico e pensamento sistêmico. Essa é a proposta básica do modelo complexo.
• Uma cultura é uma rede de conversações que define um modo de viver. Toda cultura é definida pelos discursos que nela predominam. Estes se originam nas conversações, que começam entre indivíduos, estendem-se às comunidades e por fim a todo o âmbito cultural.
• Os consensos sociais (que determinam, por exemplo, o que é permitido e o que não é, o que é real e o que é imaginário numa determinada cultura) resultam desses discursos, que por sua vez são oriundos das redes de conversação.
• Cresce-se numa cultura vivendo nela como um indivíduo participante da rede de conversações que a define. Crescer numa cultura significa, então, adquirir e desenvolver a cidadania.
• Uma cultura que não desenvolve a cidadania de seus membros não cresce, permanece subdesenvolvida. Logo, não pode sequer começar a pensar em desenvolvimento sustentado.
• Como vimos há pouco, todo sistema racional começa no emocional: o que pensamos vem do que sentimos. É por isso que nenhum argumento racional pode convencer as pessoas que já não estejam desde o início convencidas ou propensas a isso.
• Os argumentos racionais são úteis para iniciar conversações. Mas se eles insistem em permanecer lineares (ou seja, excludentes, apegados ao "ou/ou"), isso significa que querem manter-se como os únicos "verdadeiros", isto é, que não respeitam a diversidade. E esta, como sabemos, é a base da cidadania.
Dessa maneira,
• Não se pode desenvolver uma compreensão satisfatória da cidadania e de desenvolvimento sustentado com base apenas no pensamento linear.
• Por outro lado, o pensamento sistêmico, quando isolado, é também insuficiente para as mesmas finalidades.
• Há, portanto, necessidade de uma complementaridade entre ambos os modelos mentais. O pensamento linear não se sustenta sem o sistêmico, e vice-versa. O desenvolvimento sustentado precisa de um modelo de pensamento que lhe dê base e estrutura. Este é o pensamento complexo.
• Como os processos de pensamento hegemônicos em nossa cultura estão unidimensionalizados pelo modelo linear, só um esforço educacional que comece na infância terá possibilidades de reverter de modo significativo esse quadro. Isso implica pelo menos o prazo de uma geração.
• No caso dos adolescentes e adultos de hoje, é possível alcançar mudanças substanciais nessa área, desde que eles sejam educacional e culturalmente sensibilizados.
• Para isso, é fundamental a atuação das entidades do terceiro setor (entidades comunitárias), porque por meio delas é possível questionar a rigidez institucional e o modelo mental linear que, em geral, caracteriza as estruturas governamentais.
Pensamentos linear, sistêmico e complexo
Em primeiro lugar, lembremos o exemplo de Joseph O’Connor e Ian McDermott. A Terra é plana? É claro que sim: basta olhar o chão que pisamos. No entanto, como mostram as fotografias dos satélites e as viagens intercontinentais, ela é obviamente redonda. Concluímos então que do ponto de vista do pensamento linear, de causalidade simples e imediata, a Terra é plana. Uma abordagem mais ampla, porém, mostra que ela é redonda e faz parte de um sistema.
Precisamos dessas duas noções para as práticas do cotidiano. Mas elas não são suficientes, o que nos leva a ampliar o exemplo desses autores e dizer que:
a) do ponto de vista do pensamento linear a Terra é plana;
b) pela perspectiva do pensamento sistêmico ela é redonda;
c) por fim, do ângulo do pensamento complexo — que engloba os dois anteriores — ela é ao mesmo tempo plana e redonda.
Recapitulemos:
• O pensamento linear, ou linear-cartesiano, é a tradução atual da lógica de Aristóteles. Trata-se de uma abordagem, necessária (e indispensável) para as práticas da vida mecânica, mas que não é suficiente nos casos que envolvem sentimentos e emoções. Ou seja, não é capaz de entender e lidar com a totalidade da vida humana.
• O pensamento sistêmico é um instrumento valioso para a compreensão da complexidade do mundo natural. Porém, quando aplicado de modo mecânico, como simples ferramenta (como se vem fazendo nos dias atuais, principalmente nos EUA, no mundo das empresas), proporciona resultados meramente operacionais, que não são suficientes para compreender e abranger a totalidade do cotidiano das pessoas.
• Por outras palavras, o pensamento sistêmico pode proporcionar bons resultados no sentido mecânico-produtivista do termo, mas certamente não é o bastante para lidar com a complexidade dos sistemas naturais, em especial os humanos.
• É indispensável ter sempre em mente que, em que pese a sua grande importância, ele é apenas um dos operadores cognitivos do pensamento complexo. Por isso, quando utilizado, como tem sido, separado da idéia de complexidade, diminuem a sua eficácia e potencialidades.
• O pensamento complexo resulta da complementaridade (do abraço, como diz Edgar Morin) das visões de mundo linear e sistêmica. Essa abrangência possibilita a elaboração de saberes e práticas que permitem buscar novas formas de entender a complexidade dos sistemas naturais e lidar com ela, o que evidentemente inclui o ser humano e suas culturas. As conseqüências práticas dessa visão bem mais ampla são óbvias.
Alguns princípios do pensamento complexo
• Tudo está ligado a tudo.
• O mundo natural é constituído de opostos ao mesmo tempo antagônicos e complementares.
• Toda ação implica um feedback.
• Todo feedback resulta em novas ações.
• Vivemos em círculos sistêmicos e dinâmicos de feedback, e não em linhas estáticas de causa-efeito imediato.
• Por isso, temos responsabilidade em tudo o que influenciamos.
• O feedback pode surgir bem longe da ação inicial, em termos de tempo e espaço.
• Todo sistema reage segundo a sua estrutura.
• A estrutura de um sistema muda continuamente, mas não a sua organização.
• Os resultados nem sempre são proporcionais aos esforços iniciais.
• Os sistemas funcionam melhor por meio de suas ligações mais frágeis.
• Uma parte só pode ser definida como tal em relação a um todo.
• Nunca se pode fazer uma coisa isolada.
• Não há fenômenos de causa única no mundo natural.
• As propriedades emergentes de um sistema não são redutíveis aos seus componentes.
• É impossível pensar num sistema sem pensar em seu contexto (seu ambiente).
• Os sistemas não podem ser reduzidos ao meio ambiente e vice-versa.
Alguns benefícios do pensamento complexo
• Facilita a percepção de que a maioria das situações segue determinados padrões.
• Facilita a percepção de que é possível diagnosticar esses padrões (ou arquétipos sistêmicos, ou modelos estruturais) e assim intervir para modificá-los (no plano individual, no trabalho e em outras circunstâncias).
• Facilita o desenvolvimento de melhores estratégias de pensamento.
• Permite não apenas entender melhor e mais rapidamente as situações, mas também ter a possibilidade de mudar a forma de pensar que levou a elas.
• Permite aperfeiçoar a comunicações e as relações interpessoais.
• Permite perceber e entender as situações com mais clareza, extensão e profundidade.
• Por isso, aumenta a capacidade de tomar decisões de grande amplitude e longo prazo.
O que se aprende por meio do pensamento complexo
• Que pequenas ações podem levar a grandes resultados (efeito borboleta).
• Que nem sempre aprendemos pela experiência.
• Que só podemos nos autoconhecer com a ajuda dos outros.
• Que soluções imediatistas podem provocar problemas ainda maiores do que aqueles que estamos tentando resolver.
• Que não existem fenômenos de causa única.
• Que toda ação produz efeitos colaterais.
• Que soluções óbvias em geral causam mais mal do que bem.
• Que é possível (e necessário) pensar em termos de conexões, e não de eventos isolados.
• Que os princípios do pensamento sistêmico podem ser aplicados a qualquer sistema.
• Que os melhores resultados vêm da conversação e do respeito à diversidade de opiniões, não do dogmatismo e da unidimensionalidade.
• Que o imediatismo e a inflexibilidade são os primeiros passos para o subdesenvolvimento, seja ele pessoal, grupal ou cultural.
Intróito
No princípio foi a palavra, o verbo que se fez matéria,energia e carne.
Deus disse: Faça-se a luz, e a luz foi feita.
Deus disse: Faça-se um firmamento entre as águas e separe ele uma das outras, e assim segue a narrativa do Gênese (As origens da criação)
Nosso Universo foi criado pelo som, como foram todos os demais universos.
Do caos, dos abismos das trevas foram formados todos os sistemas solares produzidos pela Palavra/Som.
O cientista Donald Hatch Andrews, em seu livro The Symphony of Life, declarou que o universo não é feito de matéria, e sim de música - ligando o pensamento moderno com as idéias sempre revisitadas de Pitágoras de cerca de vinte e cinco séculos atrás.
Ênfase no ouvido
O ouvido humano é o sistema mais elaborado, sofisticado, preciso e complexo depois do cérebro.Ele transforma a energia sonora, na forma de pressão do ar (ondas mecânicas) exercida no tímpano em impulsos elétricos cerebrais.
Enquanto nossa visão é sensível a luz, perceptíveis através de vibrações (ondas) eletromagnéticas de freqüências entre 3,85 x 10 elevado à 14 Hz a 7,90 x 10 elevado à 14 HZ com um intervalo visual de “uma oitava”; o ouvido humano é sensível a uma faixa de freqüência de “dez oitavas” ou seja de 16 HZ a 16.000 Hz. O ouvido humano distingue através de uma análise espectral muitíssimo rápida, em torno de 0,020 segundos, de 3.000 a 4.000 tons diferentes com facilidade, suportando uma variação de intensidade entre 10 elevado a -12 Watts e 10 elevado a 2 Watts no limite superior da audição na faixa de 2.500/3.000 Hz.
Podemos dizer de forma comparativa /analógica que o ouvido é como uma balança que pesa com a mesma precisão, de um grama até uma tonelada sem mudar de escala.Enquanto precisamos de dois olhos para termos noção de profundidade ou estereoscopia, basta um ouvido para termos noção relativa de distância.
Em suma podemos dizer que o ouvido humano é um sistema apuradíssimo, de altíssima precisão que captura e transmite de forma velocíssima, todo um universo sonoro até o cérebro, produzindo no ser ouvinte, subjetividades psicoacústicas em forma de emoções, comoções, pensamentos, desejos, sonhos, imaginações, idéias, percepções, sensações, lembranças, sentimentos, etc., originando de efeitos psicofisiológicos, até psicoespirituais de transcendência e enlevo místico.
A audição funciona como um canal para apreensão lógica e de cognição objetiva consciente e/ou inconsciente de subjetividades extra-sensoriais.
Nesse ínterim, façamos uma rápida digressão que pode ser considerada controvérsia: Para nosso bem estar(físico, emocional, mental e espiritual) a audição pode ser mais importante do que a visão. Os cegos se orientam muito melhor do que os surdos em seu mundo interior e até no para eles escuro mundo exterior. Os surdos entram em depressão mais freqüentemente, e acabam ficando tão isolados que são incapazes de vibrar com os outros e com a vida.Se os olhos podem ser a janela da alma, através dos ouvidos se escuta o coração.
A vida é vibração como hoje constatam tanto físicos, quanto místicos, estes desde tempos ancestrais(tudo se move, tudo vibra, gerando ritmo e som).Ora, quem além de perceber e saber dar importância à informação colhida pela audição, aprende a escutar e não tarda a ouvir a sua voz interior e quiça descobrir um Universo que lhe fale num nível novo e inusitado.
Então essa pessoa aprende a escutar com um significado mais profundo, especificamente “aquela voz interior” a “voz do silêncio” que tem a tendência a se transformar na “Voz de Deus”. Diga-se de passagem, que quando oramos temos a intenção e a expectativa que “Deus ouça as nossas preces”. Misticismo à parte, apurar o ouvir efetivamente nos torna mais perceptivo, conectado, evoluído.
Música, Divina Música
O fenômeno sonoro que mais amplamente atinge o ser humano, em nossa moderna sociedade de massas é a música, em suas mais variadas formas e estilos, e nos mais variados veículos /mídias de difusão e recepção.
A música pode ser considerada como uma das formas mais elevada e profunda de se colocar o ser humano em contato com a sua própria essência e a do universo, sendo que grandes filósofos de várias épocas como Platão, Arquimedes, Galileu, Pitágoras usaram expressões como: harmonia das esferas, sinfonia do universo, cadência da vida, linguagem de Deus, em alusão à música.
A música constitui um fenômeno intangível, manifestado pela interrupção engenhosa do silêncio por sons /ruídos, criando um efeito audioestético subjetivo e inefável.É parte intrínseca da linguagem universal da humanidade, constituindo-se num alimento vital para sua saúde criativa e espiritual, bem como elemento poderoso de equilíbrio.
Poderíamos nos estender quase que indefinidamente em arrazoados sobre a música, aprofundando suas amplas implicações, seu papel civilizatório e cultural, etc., o que foge ao propósito deste texto., sendo que encerramos esta parte com a seguinte afirmação:
A música deve assumir o seu lugar
Como a mais elevada das artes
Aquela que, mais que qualquer outra,
Contribui para felicidade humana
Herbert Spencer
Música Onipresente
Nas últimas décadas a difusão /recepção da música se tornou ubíqua na vida das pessoas, paralelamente à massificação e modernização /tecnologia dos meios de comunicação e equipamentos eletrônicos(Emissoras de Rádio, Televisão, Indústria do Cinema, Fonográfica e Cultural /Entretenimento, Publicidade, Internet, rádio, aparelho de som doméstico, automotivo, CD Player, MP3 Player, Videocassete, DVD, Home Theater, cinema, sistemas de sonorização para shows ao vivo etc.)
Ouve-se música no rádio em casa, no automóvel, na televisão, no cinema, na rua, no elevador, na loja, na festa, no baile, no consultório, no elevador, no shopping center, no telefone, na sala de espera, no churrasco, no supermercado, através do veículo de propaganda móvel, no motel (nesse caso sem constatação própria, apenas de ouvir falar), e em situações às vezes insólitas.
O Brasil é considerado um dos maiores mercados consumidores de música do planeta, e concomitante um dos três maiores produtores(ao lado dos EUA e Reino Unido) de música popular, sendo a “MPB Clássica” consensualmente considerada uma das mais genuínas ricas, criativas e consistentes(muitos célebres e/ou conceituados músicos, críticos, analistas, a consideram junto da música afro-americana, com a devida separação do joio do trigo em ambas,
a melhor música produzida no planeta Terra).
Não obstante, o Brasil(Estado/ Sociedade) em plena Era da Economia Criativa e do Conhecimento, da valorização dos Capitais Intangíveis, da Ética, e da Estética, não possui uma Política consistente de Educação, Cultura e de Comércio Exterior que privilegie a Música, que crie um mercado para este excepcional produto que é a Música Popular Brasileira com toda a sua diversidade e criatividade.Deixa a mercê da indústria cultural e dos meios de comunicação que através de um viés estritamente mercantilista, torna a música uma reles mercadoria de entretenimento fútil, veiculada e vendida de forma arbitrária, sem nenhum critério qualitativo, estético, ético, e cultural; dirigida quase que exclusivamente, e de forma socialmente irresponsável ao segmento jovem que se torna presa fácil, já que ainda está com seu senso crítico, estético e de percepção de mundo em formação.
É inconteste a baixíssima qualidade da “música popular de massas” consumida principalmente pela juventude, seja de que ângulos ou critérios tanto objetivos/ técnicos ou subjetivos/ estéticos que se analise.(fenômeno este de abrangência mundial diga-se de passagem)
Trata-se de uma música plana, padronizada, minimalista, pobre em seus elementos fundamentais: ritmo, melodia, harmonia e letra; de baixo valor artístico, fútil, fugaz, vulgar, bizarra, canhestra, enfadonha, involutiva e potencialmente deletéria e nociva à sensibilidade e aos bons instintos.(não sendo ocioso e inevitável muitas vezes correlacioná-la com distúrbios psíquicos, comportamentais, éticos, drogas, violência, prostituição, corrupção, etc. seja como causa e/ou conseqüência)
Pode se alegar que a opinião aqui expressa, está carregada de conservadorismo, “preconceito” ou que “gosto não se discute”, como muitas vezes se contra argumenta, não raro fruto de insensibilidade, ignorância e /ou leviandade.
Mas o juízo de valor aqui externado, provém de uma análise crítica, de “pós-conceito” e até da “concordância” de que gosto não se discute “se lamenta”.
A Música devido ao seu papel social, político, econômico, relevância espiritual e demais aspectos implicativos aqui sumariamente levantados, precisa ser privilegiada, no sentido de ser devidamente cultuada, cultivada, e “consumida” democraticamente com consciência, senso estético, emoção, enlevo e genuína alegria.
O mundo na encruzilhada e a carência de competências essenciais
0 comentários Postado por Carlos Ronaldo Santos às 09:43Que o mundo vive uma crise multifacetada e sem precedentes, isso não é novidade para ninguém, ou não deveria ser. Mas será que as nossas “elites dirigentes” detêm ou estão adquirindo as competências e habilidades necessárias para o enfrentamento dos complexos problemas que estão nos desafiando.
A impressão que eu tenho é que medidas são tomadas pautadas nos velhos paradigmas, sem ousadia e criatividade, ou seja, sem inovação, resultando em soluções pífias, inócuas e não raro com efeitos colaterais nocivos.
O modelo educacional fruto do modelo mental e cosmovisão linear cartesiana se mostra inadequado, fragmentado e calcado na especialização e no tecnicismo puro.
Estão as escolas hoje particularmente no Brasil, ensinando em todos os níveis desde o ensino fundamental à pós-graduação, por exemplo: a teoria do caos, o pensamento complexo, a filosofia integral, estruturas dissipativas, autopoiese, ética, metafísica, espiritualidade e música principalmente?
Sim eu disse música em toda sua amplitude e profundidade possível.
A música tem uma relação com a vitrine de arquétipos da vida, com fenômenos dos mais diversos níveis, com a potencialização do pensar, do sentir e do agir humano, ou seja de suas diferentes inteligências e múltiplas dimensões.
De preferência deve-se escutar e estudar Música. Música de Qualidade sem relativismos pluralistas, ou igualitárismos; estou falando do padrão hierárquico de um Bethoven, Mozart, Bach, Tom Jobim, Miles Davis, Elis Regina, Milton Nascimento, Pat Metheny, Steve Wonder, George Benson, Chico Buarque, Gilberto Gil, John Coltrane, César Camargo Mariano, citados aqui aleatoriamente, e mais uma miríades de músicos autênticos e suas obras de várias épocas, gêneros e estilos, fartamente disponíveis.
A vida acelerou, o mundo se tornou mais complexo, assim como a relação entre as pessoas e destas com o meio ambiente.
Há de se buscar formar cidadãos e profissionais de perfil transdisciplinar, que inclua emoções, sentimentos, dúvidas, imaginação, intuição, e a ação concreta, onde idealmente se conjugue as facetas de cientista, filósofo, artista e místico, agregando à dimensão lógica, valores universais como a ética, o amor, a compaixão, e a paz.
O atual cenário irá exigir habilidades e competências totalmente diferentes das adquiridas e oferecidas pelas escolas até aqui.
Uma das competências básicas será a de estar conectado, antenado, sendo capaz de sintonizar, capturar o espírito da época para poder se inserir e interferir com eficácia, consciência e elegância na sociedade.
Assim urge que a preparação dos indivíduos em geral seja repensada e transcenda a mera recepção passiva de teorias e informações de segunda mão, descontextualizadas, inconsistentes, conjecturais, modelares e abstratas nas salas de aula, workshops, congressos e seminários da vida.
A maioria das instituições de ensino se enaltecem do que tem a oferecer de saberes e conhecimentos codificados e estruturados em disciplinas. Ou seja o que já se sabe previamente.
Porém uma outra dimensão do conhecimento comporta o não saber, o mergulho no desconhecido, no ventre quente do caos, do flerte com o intangível, o imponderável, com o supra-sensorial.
Vivemos tempos céleres, que nos impõe integrar em real time o pensar, o sentir e o fazer, que constituem um processo vívido que mediado pela Música, permitirá dar uma perspectiva artística, no muitas vezes árido e vulgar cotidiano, inclusive na apreensão do conhecimento no terreno da educação, tornando-a íntima da vida, preparando seres humanos sapientes, de inteligências múltiplas e integralmente competentes.
A propósito da situação e do momento de grave crise, paradoxos, de impasse e a meu ver de mega transição, que ora passa a Humanidade aproveito para externar de forma concisa algumas considerações a esse respeito:
1- Esse panorama de crise e caos multifacetados(ambiental/climático, econômico, político, ético, moral, social, cultural, paradigmático e de cosmovisão) é real, perceptível quase palpável, por evidências, fatos incontestes, corroborado quase de forma consensual, por uma quantidade enorme de teses, artigos, livros, opiniões, reflexões,(desde a década de 60) de emérito-eminentes pensadores, filósofos, cientistas, líderes religiosos e laicos, espiritualistas, esotéristas, místicos, clarividentes, gnósticos, artistas, políticos, etc.( estes últimos espécimes em número reduzido, em minha opinião) dos mais variados matizes, ressalvando as variações de profundidade e enfoque, todos apresentam um diagnóstico semelhante do macro- problema.
2- A crise é primeiramente de Consciência, Mentalidade, Percepção, Sentimento, Emoções, Idéias, Ideais e Valores( falta de uma cosmovisão holística e espiritual), tanto individual quanto coletiva, refletindo em comportamentos, manifestações e atitudes, impróprias, incoerentes, inconsistentes, egóicas, amorais e insustentáveis.
3- Secundariamente de Modus Vivendi e Operandi traduzidas em tecnologias inadequadas, deletérias, e obsoletas, um sistema econômico orientado exclusivamente para o lucro; calcado na exploração e utilização irracional dos recursos naturais; na exploração e/ou sub-aproveitamento dos seres humanos; na competição em detrimento da cooperação e inovação; no incentivo ao consumo em massa, etc.
4- Terciariamente pelo declínio cultural, traduzido em uma cultura de massas uniforme, embotamento da afetividade, da solidariedade, da sensibilidade, etc. e conseqüente aumento a níveis patológicos da psicose e neurose humanas.
5- No meu entender estamos no limiar e oportunidade de uma profunda mudança de paradigma, de mentalidade, de cosmovisão, onde poderemos transcender para um novo patamar evolutivo da civilização humana, operando uma transição o menos traumática possível, superando as resistências às mudanças, e os conflitos de interesses; ou resvalando para um processo involutivo irreversível, de declínio, barbárie, e colapso.
6- As mudanças e sintomas(ao lado da recorrente e cíclica disputa e resistência da velha ordem estabelecida) já estão se processando: preocupação e responsabilidade com o meio-ambiente, aumento na utilização de energias alternativas, a presença já maciça da mulher no mercado de trabalho, inclusive em postos de decisão(será que estamos no limiar de uma nova era matriarcal?)
7- Aumento do terceiro setor/ONGS, participação dos empregados na gestão e nos lucros, aumento do poder financeiro dos fundos de pensão, aumento dos investimentos sociais, movimentos e ações pela ética e cidadania na política e nos negócios.
8- Responsabilidade social, governança corporativa, gestão de pessoas, aumento do valor dos capitais/ ativos intangíveis, movimento pelo consumo responsável, resgate da sabedoria e dos valores perenes, medicina alternativa, combate à fome e a pobreza.
9- O resgate e a eclosão do pensamento e dos movimentos espiritualistas e místicos autênticos, etc. (Estaremos diante de uma revolução do porte da Copernicana, de um novo tipo de Iluminismo pós-moderno?)
Encerro este artigo com o seguinte aforismo utópico:
Precisamos urgentemente desencadear uma verdadeira epidemia de consciência, uma avalanche de bom senso uma explosão de amor que atinja a maior parcela possível dos seres humanos. Assim a massa crítica gerada se transformará no cérebro do planeta, desencadeando uma reação em cadeia, gerando idéias e soluções
essenciais para promoção da evolução.