Que o mundo vive uma crise multifacetada e sem precedentes, isso não é novidade para ninguém, ou não deveria ser. Mas será que as nossas “elites dirigentes” detêm ou estão adquirindo as competências e habilidades necessárias para o enfrentamento dos complexos problemas que estão nos desafiando.

A impressão que eu tenho é que medidas são tomadas pautadas nos velhos paradigmas, sem ousadia e criatividade, ou seja, sem inovação, resultando em soluções pífias, inócuas e não raro com efeitos colaterais nocivos.

O modelo educacional fruto do modelo mental e cosmovisão linear cartesiana se mostra inadequado, fragmentado e calcado na especialização e no tecnicismo puro.

Estão as escolas hoje particularmente no Brasil, ensinando em todos os níveis desde o ensino fundamental à pós-graduação, por exemplo: a teoria do caos, o pensamento complexo, a filosofia integral, estruturas dissipativas, autopoiese, ética, metafísica, espiritualidade e música principalmente?
Sim eu disse música em toda sua amplitude e profundidade possível.

A música tem uma relação com a vitrine de arquétipos da vida, com fenômenos dos mais diversos níveis, com a potencialização do pensar, do sentir e do agir humano, ou seja de suas diferentes inteligências e múltiplas dimensões.

De preferência deve-se escutar e estudar Música. Música de Qualidade sem relativismos pluralistas, ou igualitárismos; estou falando do padrão hierárquico de um Bethoven, Mozart, Bach, Tom Jobim, Miles Davis, Elis Regina, Milton Nascimento, Pat Metheny, Steve Wonder, George Benson, Chico Buarque, Gilberto Gil, John Coltrane, César Camargo Mariano, citados aqui aleatoriamente, e mais uma miríades de músicos autênticos e suas obras de várias épocas, gêneros e estilos, fartamente disponíveis.

A vida acelerou, o mundo se tornou mais complexo, assim como a relação entre as pessoas e destas com o meio ambiente.

Há de se buscar formar cidadãos e profissionais de perfil transdisciplinar, que inclua emoções, sentimentos, dúvidas, imaginação, intuição, e a ação concreta, onde idealmente se conjugue as facetas de cientista, filósofo, artista e místico, agregando à dimensão lógica, valores universais como a ética, o amor, a compaixão, e a paz.

O atual cenário irá exigir habilidades e competências totalmente diferentes das adquiridas e oferecidas pelas escolas até aqui.

Uma das competências básicas será a de estar conectado, antenado, sendo capaz de sintonizar, capturar o espírito da época para poder se inserir e interferir com eficácia, consciência e elegância na sociedade.

Assim urge que a preparação dos indivíduos em geral seja repensada e transcenda a mera recepção passiva de teorias e informações de segunda mão, descontextualizadas, inconsistentes, conjecturais, modelares e abstratas nas salas de aula, workshops, congressos e seminários da vida.

A maioria das instituições de ensino se enaltecem do que tem a oferecer de saberes e conhecimentos codificados e estruturados em disciplinas. Ou seja o que já se sabe previamente.

Porém uma outra dimensão do conhecimento comporta o não saber, o mergulho no desconhecido, no ventre quente do caos, do flerte com o intangível, o imponderável, com o supra-sensorial.

Vivemos tempos céleres, que nos impõe integrar em real time o pensar, o sentir e o fazer, que constituem um processo vívido que mediado pela Música, permitirá dar uma perspectiva artística, no muitas vezes árido e vulgar cotidiano, inclusive na apreensão do conhecimento no terreno da educação, tornando-a íntima da vida, preparando seres humanos sapientes, de inteligências múltiplas e integralmente competentes.

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